Dislexia

ENTENDA A DISLEXIA E SUAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

Para entender a dislexia e identificar as suas principais características há de se considerar que existem dificuldades de aprendizagem da leitura e escrita que advêm de causas orgânicas, não orgânicas e as dificuldades relacionadas às causas pedagógicas. No tocante as causas e/ou impedimentos orgânicos, ocorrem  devido a déficit, transtornos e quadros químicos por substancias como álcool e drogas ilícitas; as dificuldades relacionadas as causas não orgânicas podem estar associadas a traumas emocionais sofridos ou vivenciados pelo aprendiz (psicológicas). Todavia, as dificuldades relacionadas as causas pedagógicas estão envolvidos os método, técnicas e ações educacionais não condizentes com o potencial do aprendente, que levam ao não acompanhamento das ações educacionais, gerando por parte do aprendiz uma falta de conhecimento de base dos conteúdos.

Fatores como dislexia, disgrafia e discalculia são exemplos de transtornos de aprendizagem com base orgânica que impactam o desempenho acadêmico e a vida pessoal do indivíduo. A dislexia, por exemplo, dificulta o reconhecimento de palavras e a compreensão de textos, enquanto a disgrafia afeta a motricidade fina e a coordenação visomotora, dificultando a escrita legível.

O diagnóstico preciso da origem das dificuldades é fundamental para direcionar o tratamento e as estratégias de ensino mais adequadas, como também uma intervenção precoce e especializada, com o apoio de profissionais qualificados. O diagnóstico deve ser feito por uma equipe multidisciplinar e envolve a avaliação do desenvolvimento neuropsicológico, aspectos emocionais, neurológicos, psiquiátricos e sensoriais. É essencial esse apoio profissional, as adaptações no ambiente familiar e escolar, e a busca de estratégias para contornar as dificuldades encontradas, proporcionando o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita, permitindo que o indivíduo alcance o sucesso na vida escolar e pessoal.

Nesse artigo, portanto, vamos tratar das dificuldades de aprendizagem da leitura e escrita voltado para a situação orgânica a qual está envolvida processos do funcionamento cerebral, como disfunções neurológicas ou alterações no processamento da linguagem, em que a pessoa não recebe, não processa, analisa ou armazena informações de forma adequada. O transtorno de aprendizagem da leitura é uma condição neurológica que afeta a aprendizagem e o processamento de informações. Diferente da dificuldade de aprendizagem, o transtorno de aprendizagem é uma condição permanente.

Seguindo a ordem cronológica dos conteúdos desse artigo, vamos abordar primeiro a concepção histórica da dislexia; o que é a dislexia; os vários tipos de conceitos da dislexia. Em seguida trataremos dos subtipos de dislexia do desenvolvimento; principais teorias; fatores etiológicos das dificuldades de aprendizagem da leitura; sinais e sintomas; principais sinais;  e finalmente, serão explanadas os assuntos sobre diagnóstico da dislexia; tratamento para dislexia; abordagens de intervenção; importância do diagnóstico e o tratamento precoce.

Concepção Histórica da Dislexia

As primeiras menções à dislexia surgiram no campo da medicina no final do século XIX (DOYLE, 1996). A dislexia foi estudada principalmente por oftalmologistas e ao longo do século XIX, continuou a ser investigada e diagnosticada por várias especialidades médicas, com uma ênfase na perspectiva biológica. No século XX, houve uma mudança para uma visão mais ampla do distúrbio, reconhecendo-o como resultado de múltiplos fatores. Embora ainda haja um foco nos aspectos biológicos, há uma tendência crescente de entender a dislexia de forma mais holística, considerando múltiplos fatores como possíveis causas de seu desenvolvimento

O termo Dislexia foi cunhado pelo médico oftalmologista alemão Rudolf Berlin em 1887, para descrever uma forma específica de “cegueira para palavras adquirida” em adultos. Após observações realizadas ao longo de duas décadas, Berlin relatou seis casos de pacientes que perderam a habilidade de ler devido a lesões cerebrais. Se a lesão fosse difusa, resultava em uma completa incapacidade de leitura de palavras (“alexia adquirida”); se fosse localizada, causava uma grande dificuldade na interpretação de símbolos escritos à mão ou impressos (“dislexia”) (R. F. Wagner, 1973).

A primeira referência histórica ao desenvolvimento dessa condição foi feita em 1896 pelo médico inglês Pringle Morgan, em um artigo no British Medical Journal. Ele descreveu as severas dificuldades de leitura de um estudante de 14 anos como “cegueira congênita para palavras”. Após essa descrição inicial, vários estudos foram conduzidos, incluindo os trabalhos significativos de James Hinshelwood. Em suas observações, Hinshelwood (1917) notou uma maior prevalência dessa condição entre indivíduos do sexo masculino, com 10 dos 12 casos reportados sendo homens. Ele também sugeriu uma possível predisposição hereditária, identificando seis crianças afetadas em duas gerações da mesma família.

Na década de 1920, profissionais de saúde e pesquisadores dos Estados Unidos começaram a se interessar pelo trabalho desenvolvido na Europa sobre dislexia. Um dos pesquisadores notáveis foi o neurologista Samuel Orton, fundador da Associação Internacional de Dislexia. Orton percebia a leitura como um processo cognitivo complexo que envolvia múltiplas áreas cerebrais (Orton, 1925). Ele propôs que a dislexia resultava de uma falta de dominância cerebral de um hemisfério sobre o outro durante o processamento da leitura, conceito que ele chamou de estrefossimbolia (ou inversão de símbolos). Orton estimava que aproximadamente 10% da população escolar sofria dessa condição (Orton, 1937).

Inicialmente, entre as décadas de 1950 e 1970, as dificuldades de leitura eram frequentemente atribuídas a déficits perceptuais, como visuais e auditivos, bem como a problemas de organização espaço-temporal e deficiências psicomotoras, como dificuldades de motricidade geral e desafios na lateralidade e na orientação direita-esquerda (Piérart, 1997). Muitas vezes, os distúrbios associados às dificuldades de leitura eram erroneamente considerados como a causa principal. No entanto, as evidências empíricas atuais não sustentam a hipótese de que esses fatores sejam a origem das dificuldades de leitura, embora não descartem a possibilidade de que, em algumas crianças, uma dificuldade real no processamento visual possa contribuir para as dificuldades de leitura (Dockrell e MacShane, 2000).

Durante as décadas de 60 e 70, surgiu o conceito de Dificuldade de Aprendizagem Específica (DAE), também conhecida como “Learning Disability”, que se disseminou rapidamente. Samuel Kirk (1962) é geralmente considerado o primeiro a propor o conceito, definindo a DAE como uma condição em que há um atraso ou perturbação no desenvolvimento de uma ou mais áreas acadêmicas, como linguagem, leitura, escrita, matemática, entre outras, devido a alterações psicológicas causadas por disfunção cerebral e/ou distúrbios emocionais ou comportamentais. Essas dificuldades não são atribuídas a deficiência intelectual, privação sensorial ou fatores culturais e educacionais.

Desde então, várias definições e critérios foram propostos para inclusão ou exclusão, sendo a DAE uma das problemáticas mais comuns entre as necessidades educativas especiais. Os critérios principais para identificação incluem origem neurológica, discrepância acadêmica, dificuldades específicas em áreas acadêmicas, exclusão de fatores intelectuais, sensoriais, emocionais, culturais, sociais e educacionais, e condição vitalícia (Correia, 2008; Hammill, 1990). A Dislexia do Desenvolvimento (DD) é uma das formas mais prevalentes e estudadas desse espectro.

Grande parte das investigações tem se concentrado na busca por uma causa única para a dislexia, seja ela de natureza biológica, ambiental (sócio-educacional) ou cognitiva. No entanto, adotaremos aqui uma abordagem multicausal, seguindo a perspectiva de Sternberg e Grigorenko (2003), que sugerem que as dificuldades na aprendizagem da leitura resultam de uma interação complexa entre fatores biológicos (neuropsicológicos e genéticos), e cognitivos (cognitivo-linguísticos).

O Que é a Dislexia?

Etimologicamente, a palavra “Dislexia” é composta pelos radicais “dis”, que se refere a uma ideia de difícil e “lexia”, que significa palavra. No seu sentido literal, o termo refere-se, portanto, a dificuldades na aprendizagem da palavra (Montenegro, 1974). Nos últimos anos, o conceito tornou-se mais específico, designando uma síndrome determinada, que se manifesta em dificuldades de distinção ou memorização de letras ou grupos de letras e problemas de ordenação, de ritmo e de estruturação das frases (Torres e Fernandéz, 2001).

A dislexia na vasta literatura pode ser encontrada com várias terminologia como: transtorno da leitura, distúrbio de leitura, dificuldade específica de leitura ou transtorno específico de leitura. A dislexia é, portanto um transtorno de origem neurobiológica que no geral prejudica o processamento fonológico, levando a dificuldades de leitura (decodificação), e de soletração ou escrita (codificação). O transtorno afeta a capacidade de ler e escrever de forma eficiente. Pessoas com dislexia têm dificuldade em associar as letras aos sons que elas representam, resultando em dificuldades de leitura, escrita, soletração e compreensão de textos.

Por conseguinte, a dislexia do desenvolvimento é um fenômeno descrito na literatura desde o século XVII e representa um desafio significativo na aquisição da leitura. É caracterizada por uma dificuldade persistente e específica em decodificar palavras, resultando em dificuldades na fluência e compreensão da leitura. Além disso, é importante ressaltar que a dislexia não está relacionada com a inteligência geral da pessoa, mas sim com um desafio específico no processamento da linguagem escrita. Ao longo dos anos, diversos estudos têm contribuído para uma compreensão mais aprofundada da dislexia, destacando tanto os aspectos neurobiológicos quanto os ambientais envolvidos em sua etiologia e manifestação clínica.

A revisão mais recente do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) pela Associação Americana de Psiquiatria ( American Psychiatric Association), em 2013, destaca que entre 5% a 15% das crianças em idade escolar enfrentam uma Dificuldade da Aprendizagem Específica (DAE). Como se sabe, essa perturbação abrange várias áreas acadêmicas, incluindo a leitura, a escrita e a matemática, e é caracterizada por dificuldades persistentes e específicas no desenvolvimento dessas habilidades, apesar de uma educação convencional e de um nível adequado de inteligência. A identificação precoce e o manejo eficaz da DAE são cruciais para mitigar os impactos negativos na aprendizagem e no bem-estar emocional das crianças afetadas. A compreensão das causas subjacentes e a implementação de estratégias de intervenção individualizadas são fundamentais para apoiar o sucesso acadêmico e a autoestima desses alunos

Dislexia: Explorando as Diversas Definições

Segundo Fonseca (2004), a dificuldade em estabelecer uma definição comum para as dificuldades de aprendizagem está ligada à falta de identificação clara, à eficácia limitada do diagnóstico e à complexidade da etiologia, influenciada por diversos fatores biopsicossociais. Embora a dislexia seja frequentemente definida como uma dificuldade de leitura, sua natureza complexa e multifacetada exige uma exploração mais profunda. Este tópico apresentará diversas definições de dislexia, abrangendo suas diferentes perspectivas e nuances.

Segundo Doris, 1993 o transtorno da leitura no nível das palavras é sinônimo de “dislexia”. Esse Transtorno de Aprendizagem foi relatado durante o século XX e descrito como “cegueira verbal”, “agnosia visual para palavras” e “transtorno específico de leitura”. Consequentemente, o déficit principal nas habilidades acadêmicas caracterizando crianças com dislexia é a grande dificuldade na decodificação de palavras isoladas (Olson, Forsberg, Wise e Rack, 1994; Perfetti, 1985; S. E. Shaywitz, 2004; Stanovich, 1986).

Diversas definições contemporâneas surgiram com base em pesquisas, e a dislexia é comumente definida de acordo com o consenso do grupo de pesquisadores da Associação Internacional de Dislexia (IDA). Considere a seguinte definição de dislexia, formulada em 1994 (Lyon, 1995), posteriormente revisada pelo comitê de pesquisa da International Dyslexia Association – IDA, em 2003 para incorporar os avanços rápidos na pesquisa ocorridos na década seguinte (Lyon et al., 2003b, p.1).

A definição atual transcrita foi publicada em 2003, com a participação de um grupo de profissionais do IDA, além dos profissionais pesquisadores: Dislexia é uma dificuldade específica de leitura de origem neurobiológica. Caracteriza-se pela dificuldade no reconhecimento de palavras de maneira correta ou fluente e insatisfatória habilidade em soletração e decodificação. Essas dificuldades resultam tipicamente de um déficit em componente fonológico da linguagem, e são frequentemente inesperadas em relação a outras habilidades cognitivas e ensino adequado. Consequências secundárias incluem problemas na compreensão de leitura e a reduzida experiência em leitura pode impedir o aumento do vocabulário e de outros conhecimentos (Lyon, Shaywitz e Shaywitz, 2003).

Baseado nas pesquisas sobre déficits em habilidades acadêmicas e correlatos cognitivos, essa definição indica que a dislexia é caracterizada por dificuldades variáveis em várias formas de linguagem, incluindo problemas na leitura de palavras, ortografia e escrita. Os principais déficits acadêmicos associados à dislexia são encontrados na leitura de palavras e ortografia, refletindo dificuldades tanto na precisão quanto na fluência da decodificação. Além disso, há frequentemente problemas na compreensão da leitura. A dislexia é considerada um transtorno da leitura no nível da palavra, atribuído principalmente a deficiências nos processos cognitivos básicos, como o processamento fonológico, com causas neurobiológicas e ambientais reconhecidas. A definição é inclusiva, identificando indivíduos como disléxicos quando apresentam dificuldades na decodificação precisa e fluente das palavras, além de desafios na escrita.

Sob o ponto de vista de Dehaene, 2012, p. 254 coloca que a definição de dislexia leva em conta sua própria singularidade. Trata-se de uma dificuldade desproporcional de aprendizagem de leitura , que não pode se explicar nem por um retardo mental, nem por um déficit sensorial, nem por um ambiente social ou familiar desfavorecido. A dislexia é um transtorno inato e acredita-se que tenha uma origem genética, com histórico familiar frequentemente relacionado ao transtorno. É importante ressaltar que a dislexia não é uma doença, mas sim uma dificuldade que varia em gravidade e impacto para cada indivíduo.

Na concepção de Giacheti e Capellini, 2000, p. 45, o Distúrbio Específico de Leitura ou Dislexia do Desenvolvimento é definido como um distúrbio neurológico de origem congênita que acomete crianças com potencial intelectual normal, sem déficits sensoriais, com suposta instrução educacional apropriada, mas que não conseguem adquirir ou desempenhar satisfatoriamente a habilidade para a leitura e/ou escrita.

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), a Dislexia é definida como um transtorno específico de linguagem, manifestada por dificuldades linguísticas variadas, alterações de leitura, um problema com a aquisição da proficiência da escrita e da soletração. Trata-se portanto, de uma dificuldade específica de linguagem, de origem constitucional, caracterizada por dificuldades na decodificação de palavras isoladas, normalmente refletindo insuficiência do processamento fonológico. Estas dificuldades na decodificação de palavras isoladas são muitas vezes inesperadas em relação à idade e outras habilidades cognitivas e acadêmicas; não são o resultado do desenvolvimento generalizado de incapacidade ou deficiência sensorial.

Conforme diversos especialistas, podemos observar nas inúmeras definições que as dificuldades específicas de aprendizagem estão associadas a uma condição neurobiológica que tem como base uma estrutura ou funcionamento cerebral distintos, ocasionando desafios na habilidade de expressão oral, audição, leitura, escrita, raciocínio, organização e evocação de informações, assim como na realização de cálculos matemáticos. A dislexia é considerada um transtorno do desenvolvimento do sistema nervoso central e frequentemente podem ser percebidos nos primeiros anos do percurso escolar (alfabetização). Desse modo, é importante saber diferenciar o transtorno de outras situações.

Essas dificuldades afetam alunos que não apresentam comprometimentos sensoriais ou deficiências. É observada uma disparidade entre o potencial acadêmico e os resultados efetivamente alcançados. Para os especialistas e estudiosos da área, os Transtornos da Aprendizagem são gerados por fatores biológicos/neurológicos/genéticos, sendo classificados comumente como: Dislexia, Discalculia, Disortografia. Esses fatores são exemplos de transtornos de aprendizagem com base orgânica que impactam o desempenho acadêmico e a vida pessoal do indivíduo. A dislexia, por exemplo, dificulta o reconhecimento de palavras e a compreensão de textos, enquanto a disortografia afeta a dificuldade de fixação das regras ortográficas, e a discalculia a dificuldade no aprendizado dos números. As crianças apresentam uma inabilidade para lidar com contagens, sequências e operações aritméticas.

Veja a seguir de forma clara e suscinta a definição dos transtornos no vídeo do Canal Filhos Brilhantes: especializado em FONOAUDIOLOGA, DISLEXIA, PSICOPEDAGOGIA nos DISTÚRBIOS E DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM.

https://www.youtube.com/watch?v=68q7ZnmNWb4

Dislexia

Subtipos de Dislexia do Desenvolvimento

Muitos pesquisadores têm se dedicado a investigar a grande variedade de distúrbios de leitura e escrita, buscando compreender os fatores que estão relacionados a essas dificuldades. Como resultado desses esforços, surgiram diversas concepções teóricas que buscam explicar a diversidade de causas por trás desses distúrbios. Essa classificação em subgrupos, ou tipologia, começou a ser desenvolvida na década de 1960, como uma forma de organizar e categorizar as diferentes manifestações dos problemas de leitura e escrita. Esses subtipos ajudam a compreender melhor as características específicas de cada tipo de dislexia, contribuindo para um diagnóstico mais preciso e para a elaboração de estratégias de intervenção mais eficazes.

As variações nos tipos de erros persistentes entre os pacientes são chamadas de subtipos de dislexia. Cada tipo de erro persistente é decorrente de ao menos um déficit em alguma capacidade cognitiva envolvida na leitura (Friedmann & Coltheart, 2018). Por exemplo, a leitura lentificada pode ser característica da dislexia de superfície, na qual o indivíduo não armazena as palavras em seu léxico ortográfico e precisa sempre lê-las como se fosse a primeira vez, convertendo as letras em sons.

A vasta literatura sobre dislexia revela uma variedade de classificações dos subtipos desse distúrbio, refletindo a complexidade e a diversidade das manifestações clínicas observadas. Diferentes pesquisadores e estudiosos propuseram classificações com base em diversos critérios, como características cognitivas, habilidades de processamento, padrões de sintomas e respostas a intervenções. Alguns modelos classificatórios se concentram nas dificuldades fonológicas, dividindo a dislexia em subtipos como dislexia fonológica, superficial e profunda, com base na gravidade e na natureza das dificuldades de decodificação e compreensão. Outros modelos consideram fatores como velocidade de processamento, memória de trabalho e processamento visual, resultando em classificações que distinguem entre dislexia fonológica, dislexia visual-espacial e dislexia mista.

Além disso, há classificações que levam em conta a etiologia e a neurobiologia da dislexia, como a dislexia do desenvolvimento relacionada a déficits cerebrais específicos, dislexia adquirida decorrente de lesões cerebrais e dislexia específica do desenvolvimento, que enfatiza a influência genética e neurobiológica. Essa diversidade de classificações reflete a compreensão em evolução da dislexia e destaca a importância de considerar múltiplos fatores ao avaliar e abordar esse distúrbio. Uma abordagem mais integrativa e holística, que leve em conta tanto os aspectos cognitivos quanto os biológicos e contextuais, pode fornecer uma compreensão mais abrangente dos diferentes subtipos de dislexia e orientar intervenções mais eficazes e personalizadas.

Pereira (1995), refere que a tipologia mais conhecida é a de Border que distinguiu três grupos diferentes
de dislexia do desenvolvimento: dislexia disfonética ou fonológica, dislexia diseidética e dislexia mista.

1. Dislexia Disfonética ou Fonológica: É a mais frequente, apontando que 67% das crianças apresentam esse subtipo. Caracterizada por uma dificuldade na leitura oral de palavras pouco familiares, que se encontra na conversão letra-som e é, normalmente, associada a uma disfunção do lóbulo temporal esquerdo. Os aprendizes apresentam dificuldades na diferenciação, na análise, na nomeação dos sons da fala, na seriação e nas rimas. Demonstram grande dificuldade também para soletrar, dividir sílabas, diferenciar letras e palavras cujo som é semelhante como /m/ com /n/, trocam a ordem das consoantes e confundem dígrafos /telha/ por /tenha/. Há problemas na memória auditiva, escrevem muito devagar, rasuram bastante o texto, por causa da insegurança na escrita.

2. Dislexia Diseidética/Visual ou Superficial: Representa somente 9% das crianças com esse subtipo. Apresentam dificuldades nas tarefas de percepção e discriminação visual, caracterizada por uma dificuldade na leitura relacionada a um problema visual, cujo processo é deficiente. Conforme Ellis (1995), o leitor lê por um processo extremamente elaborado de análise e síntese fonética. Esse subtipo de dislexia está associado às disfunções do lóbulo occipital. A escrita geralmente é inconstante, apresentando letras de diferentes tamanhos, omissões, rotações, inversões, emendas e rasuras frequentes.

3. Dislexia Mista: representa 24% das crianças com esse subtipo caracterizada por leitores que apresentam problemas dos dois subtipos: disfonéticos e diseidéticos, os quais estão associados às disfunções dos lóbulos pré-frontal, frontal, occipital e temporal. Apresenta uma quase total incapacidade para a leitura com dificuldade na análise fonética das palavras como na percepção de letras e palavras complexas.

De acordo com o artigo sobre os Subtipos de Dislexia do Desenvolvimento Descritos no Português Brasileiro: Uma Revisão Integrativa https://doi.org/10.1590/1413-82712023280405, foram encontrados em 11 estudos, seis (06) Subtipos de Dislexia do Desenvolvimento (SDD): 1. Dislexia Fonológica; 2. Dislexia de Superfície; 3. Dislexia Mista; 4. Dislexia com Déficit no Processamento Fonológico; 5. Dislexia com Déficit no Processamento Visual/Dislexia Visual e 6. Dislexia com Déficit nos Processamentos Fonológico e Visual, onde as dislexias fonológicas e de superfície foram as mais presentes.

Segundo os autores desse artigo, não foram encontrados estudos que abordassem a literatura científica brasileira sobre os diferentes subtipos de dislexia, destacando a necessidade de investigar os subtipos de dislexia do desenvolvimento identificados no contexto do português brasileiro. Dessa forma, a pesquisa pontua que é essencial examinar as definições de dislexia encontradas na literatura nacional, os critérios utilizados para sua identificação e os métodos de diagnóstico empregados, incluindo a detecção de dificuldades de leitura e de déficits cognitivos específicos. Compreender esses aspectos é crucial para promover avanços nas formas de avaliação e intervenção, buscando adaptar estratégias eficazes que considerem a diversidade de perfis disléxicos presentes na literatura internacional.

1. Dislexia Fonológica: Este subtipo é caracterizado por dificuldade na leitura oral de palavras de baixa frequência (palavras pouco familiares), dificuldade no mecanismo de conversão grafema-fonema e lentidão na leitura com alteração de compreensão leitora. Apresenta dificuldade na leitura de pseudopalavras e/ou palavras não familiares (Pinheiro,1999; Pinheiro, 2001; Salles, 2005; Alves et al., 2009; Boscariol et al., 2010; Campos et al., 2012; Guimarães et al., 2015) e, em menor frequência, ao prejuízo na decodificação fonológica/conversão grafema-fonema. A dislexia fonológica seria, então, caracterizada pela falta de precisão via leitura fonológica, com preservação da precisão via estratégia lexical. São observados erros de lexicalização na leitura de pseudopalavras, gerando palavras reais (ler var como “voar”); erros fonológicos, com falhas na conversão grafema-fonema, produzindo, por exemplo, pseudopalavras na leitura de palavras (ler cantiga como “cartiga”); bem como erros visuais e semânticos na leitura de pseudopalavras, com produção de palavras visual ou semanticamente semelhantes ao estímulo (ler elosanfe como “elefante”ou ocilos como “olhos”), provavelmente em razão de uma tentativa de leitura pela rota lexical para compensar os déficits fonológicos (Marinelli, Putzolu, Salvatore, Iaia & Angelelli, 2018).

2. Dislexia de Superfície: É aquela em que o sujeito utiliza predominantemente a rota fonológica. A rota fonológica é aquela que nos permite ler palavras regulares a partir de segmentos menores; (sílabas). Nessa situação, a criança consegue ler palavras regulares que estão no seu dia a dia, mas apresenta dificuldade em termos incomuns, também possuem uma velocidade de leitura reduzida ao ler frases muito longas. Sujeitos com esse tipo de dislexia terão problemas nas palavras cuja escrita não corresponde diretamente à sua pronúncia (homófonas). Geralmente associada ao desempenho abaixo do esperado na leitura de palavras isoladas irregulares (Salles, 2005; Guimarães et al., 2015), com maior precisão na leitura de palavras regulares (Campos et al., 2012). A dislexia de superfície está no uso impreciso da rota lexical, associado ao uso preciso da rota fonológica, ou seja, desempenho em leitura inferior a 65% na tarefa de palavras irregulares e superior ou igual a 75% na tarefa de pseudopalavras.

Para detectar esta dislexia é fundamental a utilização de palavras homófonas (acento e assento), pseudo-homófonas (pseudopalavras que se parecem sonoramente com palavras reais quando lidas através da rota fonológica), potentiophones (palavras em que a ortografia é diferente, mas, por falta de regras fonêmicas, a leitura oral através da rota fonológica destas pode ser semelhante, como as palavras no, now e knowno inglês) e palavras irregulares (como em cabelo, em que a vogal e pode assumir diferentes sons) (Friedmann & Lukov, 2008; Zoccolotti et al., 1999).

3. Dislexia Mista: Este subtipo é caracterizado por leitores que apresentam problemas dos dois subtipos, fonológico e visual. Definida como uma união de prejuízos presentes na dislexia fonológica, ou disfonética, e na dislexia de superfície, ou diseidética (Pestun et al., 2002; Salles, 2005), o critério comum é o prejuízo simultâneo das rotas fonológica e lexical. Pestun e colaboradores (2002) também apontam confusões espaciais como característica presente nesse subtipo, e incluíram como critério de identificação o desempenho inferior em atividades de ortografia e aritmética e a coordenação motora.

4. Dislexia com Déficit no Processamento Fonológico: Relatada em Germano et al. (2014) e definida como prejuízo no processamento fonológico, principalmente na consciência fonológica. Apesar de semelhante à definição de dislexia fonológica já descrita em outros estudos incluídos, os autores não especificam a nomenclatura utilizada para a classificação do perfil encontrado e não realizam uma associação direta entre este e dificuldades particulares na leitura de pseudopalavras em comparação com a leitura de palavras reais. Como critério de identificação deste perfil de dislexia no estudo, foi realizada uma Análise de Componentes Principais (PCA) para as três tarefas de processamento fonológico (subtestes da Bateria PROHFON, de Identificação de Fonemas, de Mistura de Sílabas e de Mistura de Fonemas; Germano & Capellini, 2011, 2014), a partir da qual um coeficiente abaixo do percentil 10 no fator fonológico indicaria padrão de dislexia com prejuízo no processamento fonológico.

5. Dislexia com Déficit no Processamento Visual/Dislexia Visual/Diseidética: Este subtipo é caracterizado por erros de rotação/reversão de letras e/ou inversão de letras durante a leitura, o que compromete a fluência, a velocidade e a compreensão leitora decorrentes de alterações no processamento visual. Os aprendizes demonstram ter dificuldade em tarefas que envolvam percepção e discriminação visual, não conseguem discriminar muito bem os tamanhos e formas das coisas, causando confusão também em grupos de letras e na dificuldade em transformar letras em sons. Uma manifestação bastante comum, por exemplo, é trocar o /b/ por /d/. Isso se dá por terem dificuldade em diferenciar palavras e letras que sejam visualmente parecidas. Desse modo, a escrita tende a ser inconstante, apresentando letras de tamanhos diferentes, omissões, rotações, inversões, sendo as emendas e as rasuras frequentes.

É causada por um déficit no output do analisador ortográfico-visual. Os erros podem ser de migração entre palavras ex.: quer doar lido como “quer doer”), migração intrapalavras (dislexia de posição de letras, ex.: aroma lido como “amora”), omissões (calma lido como “alma”), substituições (calor lido como“calar”). Segundo Germano et al. (2014) é definida como prejuízo no processamento visual, relacionado ao processamento de múltiplos elementos visuais (como formas visuais e contornos de figuras geométricas) e à atenção visual (número de elementos visuais distintos que podem ser processado simultaneamente em uma exibição visual). De acordo com Magro (2020), a dislexia visual é definida por alterações de processamento visual, manifestando-se pela leitura de palavras de forma invertida e dificuldades para identificar as letras que são imagens especulares uma da outra, tanto em leitura quanto em escrita. Além da dificuldade na leitura, pode haver prejuízos no domínio visual não restritos ao processamento de texto, apresentando déficits também em outros tipos de tarefas que requerem o processamento visual, como as motoras e as visuomotoras.

6. Dislexia com Déficit nos Processamentos Fonológico e Visual: Além dos subtipos tradicionais de dislexia, um terceiro subtipo foi identificado por Germano et al. (2014), caracterizado por prejuízos específicos nos processamentos visual e fonológico. No estudo conduzido por Germano et al. (2014), foram utilizadas análises de componentes principais (PCAs) para avaliar três tarefas relacionadas ao processamento fonológico e outras três relacionadas ao processamento visual. Os resultados apontaram que coeficientes abaixo do percentil 10 em ambos os fatores indicavam um perfil disléxico com prejuízos em ambas as áreas, evidenciando a interação complexa entre os processamentos visual e fonológico na dislexia. Esse subtipo destaca-se como uma importante área de pesquisa, fornecendo insights sobre as múltiplas dimensões da dislexia e suas manifestações específicas nos processamentos cognitivos.

Principais Teorias da Dislexia

Atualmente, há uma ampla gama de teorias sobre as causas da dislexia, que refletem diferentes abordagens teóricas, como as médicas, psicológicas, sociológicas e pedagógicas, para definir essa condição.

Após muitas décadas sobre os primeiros relatos de escolares com dificuldades na aprendizagem da leitura, os pesquisadores empenharam-se em desenvolver teorias e hipóteses para explicar essas dificuldades. O objetivo era estabelecer critérios claros para diagnóstico e intervenção eficazes. Esses esforços resultaram na formulação de diversas teorias e hipóteses que continuam a orientar pesquisas internacionais e nacionais sobre dislexia. Entre as principais teorias e hipóteses, destaca-se a teoria do déficit fonológico que enfatiza as dificuldades na consciência fonológica e no processamento fonológico como causas centrais da dislexia; teoria do processamento auditivo rápido referente a existência de um leve déficit de processamento auditivo. A Hipótese Visual postula que as dificuldades de leitura decorrem de problemas na percepção visual das letras ou na integração visual-linguística. Já a Teoria Cerebral propõe que as disfunções no cérebro, especialmente em áreas relacionadas ao processamento da linguagem, são responsáveis pela dislexia. Essas teorias e hipóteses fornecem um arcabouço teórico essencial para compreender e abordar as dificuldades de leitura enfrentadas por muitos indivíduos.

Teoria do Déficit Fonológico

Essa teoria postula que os disléxicos apresentam um déficit específico na representação, no armazenamento e na evocação dos sons da fala, e que a capacidade de atender e manipular sons linguísticos é crucial para o estabelecimento e automatização da relação grafofônica que subjaz as habilidades de codificação e decodificação fonológica (Landerl & Willburger, 2010; Ramus et al., 2003). Segundo esses pesquisadores, o cerne da dislexia reside no processamento fonológico. Eles sugerem que um déficit nessa habilidade de consciência fonológica prejudica a capacidade de transformar os sons da fala em letras, o que dificulta a leitura fluente (Vellutino et al., 2004).

Segundo essa teoria, a dislexia seria resultado de um déficit no processamento fonológico, dificultando a associação entre sons e letras. Indivíduos com dislexia podem ter dificuldade em segmentar palavras em seus sons constituintes, reconhecer fonemas (os sons individuais das letras) e associar esses fonemas às letras correspondentes. Isso pode levar a problemas na leitura e na escrita, como a dificuldade em decodificar palavras desconhecidas ou cometer erros ortográficos.

De acordo com Peterson e Pennington (2012), o déficit fonológico apresentado pelos disléxicos resulta de uma representação fonológica imprecisa e degradada. Se os sons da fala são mal representados, armazenados e evocados, a aprendizagem da relação grafofônica fica comprometida. Os defensores dessa
teoria concordam em relação ao papel central e causal do déficit fonológico na dislexia; e sendo assim, essa teoria postula a especificidade do déficit fonológico, ou seja, a existência de uma ligação direta entre um déficit cognitivo linguístico (que seria o déficit primário) e o comportamento do disléxico (Ramus et al., 2003). As evidências que dão suporte a essa teoria vieram de estudos que demonstraram que os disléxicos apresentam desempenho inferior em tarefas de consciência fonológica, segmentação e manipulação dos sons da fala.

Teoria do Processamento Auditivo Rápido

De acordo Tallal, 1980 essa teoria refere-se a existência de um leve déficit de processamento auditivo, entretanto, essa dificuldade estaria relacionada mais especificamente à incapacidade de processar corretamente dois ou mais sons de forma rápida e em sequência, acarretando uma leitura lentificada. A autora mostrou que um subgrupo de crianças com transtornos da leitura apresentou desempenho inferior em testes de percepção auditiva do que crianças sem transtornos, e que o desempenho estava correlacionado à capacidade de ler. O processamento temporal é a habilidade auditiva que vem sendo apontada como a mais prejudicada das habilidades auditivas em indivíduos com problemas de aprendizagem.

Segundo essa teoria, o déficit auditivo seria a causa direta da alteração no curso do desenvolvimento do déficit fonológico apresentado pelos disléxicos e, por sua vez, da dificuldade no aprendizado da leitura e escrita. O déficit fonológico seria um déficit secundário a um déficit auditivo mais elementar (Tallal et al., 1993). Uma vez que o estímulo de fala é um sinal acústico, a alteração no processamento temporal auditivo pode levar a uma dificuldade no processamento de elementos curtos, como as consoantes, que são caracterizadas por rápidas transições de formantes (Banai & Kraus, 2007; Ramus et al., 2003). A alteração na percepção de sons curtos e de transições rápidas dos estímulos auditivos levaria a dificuldades importantes na percepção de fala, impactando negativamente na construção das representações mentais dos estímulos de fala. A discriminação entre fonemas cujas pistas de contrastes são auditivas fica prejudicada (Serniclaes et al., 2001). Isso ocorre porque a escrita grafofônica se apoia
na capacidade de codificar e decodificar estímulos gráficos que representam sons (os fonemas);
ou seja, para aprender a ler, é indispensável a capacidade de associar um componente auditivo
fonêmico com um componente visual gráfico (Frota &Pereira, 2010).

A Teoria do Processamento Auditivo Rápido (TPAR), proposta por Paula Tallal em 1980, busca explicar as dificuldades de leitura e linguagem presentes em alguns indivíduos, particularmente aqueles com dislexia. A teoria sugere que esses indivíduos apresentam um déficit na capacidade de processar sons rapidamente, especialmente aqueles que se sucedem em rápida sequência. Indivíduos com dislexia podem ter dificuldade em discernir sons rapidamente, como a diferença entre /ba/ e /da/, ou em acompanhar sequências auditivas complexas. Muitos indivíduos com dislexia não têm dificuldade apenas para manipular as estruturas sonoras da língua, mas também apresentam dificuldades em testes nos quais devem nomear letras ou números (ou até mesmo objetos). Wolf e Bowers (1999) afirmam que o déficit na nomeação rápida é independente do processamento fonológico, e existem evidências em favor dessa hipótese. Por exemplo, Schatschneider, Fletcher, Francis, Carlson e Foorman (2004) observam que a consciência fonológica e a nomeação rápida das letras preveem o nível de reconhecimento de palavras ao final da 1a série, com base em avaliações da pré-escola.

Teoria Magnocelular

Fundamenta-se num défice a nível visual que origina dificuldades no processamento das letras e palavras num texto, através de uma fixação binocular instável, problemas de convergência ou de aglomeração do campo visual. Estes pressupostos surgem no seguimento de observações em indivíduos com dislexia que apresentam sintomas muito específicos, queixando-se que as letras pequenas parecem enevoadas e, quando tentam ler, parecem mexer-se. Desta forma, estudos anatómicos, eletrofísicos, psicológicos, psicofísicos e de imagiologia funcional têm sido efetuados de forma a elucidar a organização funcional do processamento da visão e outras confusões visuais (Stein e Walsh, 1997; Silani et al, 2005).   

Segundo Stein (2001) , existem evidências que a maioria dos problemas de leitura têm uma causa sensório-motora, relacionada com a falha no desenvolvimento correto do sistema magnocelular. Assim, o autor refere que existe uma base genética para o comprometimento das células da camada magnocelular por todo o cérebro, hipotizando que o desenvolvimento destas células pode ser prejudicado por auto-anticorpos, codificados em genes no braço curto do cromossoma 6, que afetam o desenvolvimento do cérebro

Já a hipótese do duplo déficit defende que o déficit central da dislexia está relacionado à velocidade de nomeação (Wolf & Bowers, 1999). Ela categoriza leitores de acordo com a presença ou ausência de dois processamentos cognitivos subjacentes, descritos como processamento fonológico e velocidade
de nomeação (tarefas que medem em segundos a velocidade de nomeação rápida de estímulos visuais). De acordo com essa hipótese, os autores classificaram os escolares com dislexia em três subtipos, conforme o desempenho em leitura. O subtipo déficit fonológico foi definido como uma alteração de base fonológica, mas com velocidade de nomeação dentro da média. O subtipo déficit de velocidade de nomeação foi definido como uma alteração na velocidade de nomeação classificada como abaixo da média, mas sem a presença de alteração fonológica. O subtipo duplo déficit foi definido como a alteração fonológica e de nomeação abaixo da média.

Fatores Etiológicos das Dificuldades Específicas da Leitura

A dislexia tem uma origem complexa, envolvendo aspectos biológicos, cognitivos e comportamentais. No lado biológico, mudanças nos genes, na estrutura e no funcionamento do cérebro desempenham um papel importante. Estudos mostram que certos genes podem afetar habilidades relacionadas à leitura. Também são observadas diferenças na estrutura do cérebro, como áreas específicas que podem ser menores ou apresentar formatos diferentes. Neurocientistas ao olhar o cérebro em funcionamento, observam que certas áreas podem ser menos ativas, o que pode afetar a capacidade de processar sons e palavras corretamente. Por outro lado, outras áreas do cérebro podem ficar mais ativas para tentar compensar essas dificuldades. Esses padrões podem começar a se desenvolver mesmo antes de uma criança aprender a ler e podem ser influenciados por experiências de dificuldade com a leitura ao longo do tempo.

Referente a origem das dificuldades específicas de aprendizagem da leitura, existem fundamentalmente duas abordagens principais de discussão: uma centrada nos fatores biológicos, incluindo aspectos neuropsicológicos e genéticos, e outra nas perspectivas funcionais, que buscam entender os déficits cognitivos e linguísticos subjacentes. As perspectivas funcionais investigam os fatores intrínsecos à dislexia, explorando os mecanismos cognitivos presentes nas crianças com dislexia e interpretando as manifestações cognitivo-linguísticas  à luz de modelos teóricos da leitura.

Iremos detalhar as causas da dislexia correspondente ao modelo multifatorial abrangendo aspectos cognitivos (dificuldades fonológicas, memória de curto prazo, memória de trabalho e velocidade de processamento de informações); neurobiológicos (funcionamento do cérebro e as áreas cerebrais envolvidas na leitura e na aprendizagem) e genéticos/hereditários (herdabilidade genética).

1. Fatores Neurocognitivos/Psicolinguística da Dislexia

Pereira (1995) relata que Torgesen, citado por Fijalkow, propõe que os comportamentos observados em pessoas com dislexia resultam de erros cognitivos durante o processamento da tarefa. Por outro lado, os defensores da abordagem metalinguística afirmam que esses erros podem ocorrer em diferentes níveis linguísticos, como fonológico, lexical ou sintático. Eles defendem que o sucesso na aprendizagem da leitura está relacionado a um maior entendimento linguístico. Essas dificuldades de leitura e escrita são inicialmente associadas a problemas perceptivo-motores e posteriormente relacionadas a dificuldades auditivo-linguísticas.

Relativamente às funções neurocognitivas está bem identificada a importância do processamento fonológico (ex.: dificuldades fonológicas, memória de curto prazo, memória de trabalho e velocidade de processamento de informações) na aprendizagem da leitura e escrita. Estas funções são os preditores universais (nos sistemas alfabéticos e não-alfabéticos), independentemente da opacidade ortográfica (ex.: transparente, intermédia ou opaca), da aquisição e automatização da leitura e escrita em todas as crianças (Pinheiro, 2009).

Na perspectiva cognitivista, as discrepâncias entre bons e maus leitores são vistas como uma dificuldade dos disléxicos em desenvolver e aplicar estratégias de forma eficaz. Nas crianças com Dislexia, essas funções encontram-se comprometidas, o que interfere significativamente na precisão, na fluência e na compreensão da leitura. Para além destas dificuldades, as crianças com Dislexia podem ainda apresentar défices neurocognitivos múltiplos em outras funções, nomeadamente na memória de trabalho verbal e em algumas funções executivas (Pinheiro, 2009).

Processamento Fonológico: É a capacidade de utilizar informações fonológicas para processar a linguagem oral e a escrita, englobando capacidades como a discriminação fonológica (capacidade de discriminar fonemas), memória fonológica (capacidade de memorizar palavras, sílabas e fonemas) ;e produção fonológicas (articulação das palavras e uso dos fonemas na fala, bem como a consciência fonológica). (Avila, 2004 cit. por Nascimento, 2009; Lopes, 2004).

De acordo com Wagner e Torgesen (1987), o processamento fonológico compreende três habilidades distintas, mas relacionadas: a consciência fonológica, o acesso lexical e a memória verbal de curto prazo. Essas habilidades são os principais preditores do desempenho na leitura e escrita e, déficits nestes domínios estão relacionados com a dislexia.

  • Consciência fonológica: É a habilidade de prestar atenção consciente aos sons que constituem a fala. Ela é comumente avaliada por tarefas que envolvem o julgamento de semelhanças ou diferenças fonológicas entre palavras.
  • Acesso lexical: Consiste na habilidade de recuperar a forma fonológica das palavras na memória de longo prazo. Essa habilidade é comumente avaliada por tarefas de Nomeação Seriada Rápida (NSR), nas quais o examinando deve nomear uma série de estímulos familiares (e.g. letras, números ou figuras de objetos) com acurácia e rapidez (Denckla & Rudel, 1976).
  • Memória verbal de curto prazo: Refere-se à capacidade de armazenar informação de natureza fonológica na memória de trabalho (manipular e armazenar informações temporariamente). A capacidade limitada de armazenar informações pode dificultar a compreensão textual.

2. Fatores Neurológicos da Dislexia

Do ponto de vista neurológico, diversos pesquisadores, conforme citados por Fonseca (2004), apontam que muitas crianças com dislexia apresentam pequenas lesões cerebrais ou disfunções psiconeurológicas. Estudos têm mostrado uma conexão significativa entre essas lesões cerebrais e habilidades perceptivas, cognitivas e motoras. Tais lesões interferem em vários processos de processamento e organização de informações, afetando não apenas a recepção, mas também a integração e a expressão de informações.

No tocante as áreas neurológicas, a vasta literatura informa que as áreas corticais encontram-se alteradas nos indivíduos com dislexia. Regiões parietais-temporais, occipitais-temporais e inferiores frontais do hemisfério esquerdo desempenham um papel central na descodificação do reconhecimento de palavras. Pesquisas com neuroimagem demonstram hipoativação no córtex temporo-parietal esquerdo, área de Wernicke, em indivíduos com dislexia. Essa área é fundamental para o processamento fonológico e ortográfico.

Estudos recentes de neuroimagem lançam mão de técnicas de imagem sofisticadas, como a tomografia por emissão de pósitrons (PET) e a imagem por ressonância magnética (MRI). Através da observação do funcionamento do cérebro vivo, esses estudos comparam a estrutura e os níveis de atividade cerebral em indivíduos com e sem dificuldades de aprendizagem, identificam diferenças na estrutura e função cerebral em pessoas com dislexia, principalmente nas áreas temporais e parietais, responsáveis pelo processamento da linguagem escrita. Alterações na conectividade neuronal também podem estar relacionadas ao transtorno.

A aprendizagem da leitura resulta do funcionamento de sistemas funcionais que integram várias áreas ou unidades do cérebro. (Fonseca, 2002: 13). Essa citação de Fonseca, destaca a complexidade do processo de aprendizagem da leitura, sugerindo que envolve a interação de diferentes áreas do cérebro. Isso implica que a capacidade de ler não é atribuída a uma única região cerebral, mas sim a um sistema funcional que envolve diversas áreas cerebrais trabalhando em conjunto. Essas áreas podem incluir regiões responsáveis pelo processamento visual, auditivo, linguístico e cognitivo, entre outras. Portanto, a habilidade de ler não é apenas uma função isolada de uma parte específica do cérebro, mas sim o resultado de uma colaboração entre várias regiões cerebrais.

  • Alterações no Funcionamento Cerebral: A dislexia se origina no sistema Nervoso Central (SND), onde falhas na aquisição, processamento e armazenamento de informações relacionadas à leitura e escrita impedem o desenvolvimento adequado dessas habilidades.  principalmente nas áreas temporais e parietais, afetam o processamento da linguagem escrita.
  • Neuroanatomia do Cérebro: Diferenças na estrutura cerebral, como a menor assimetria entre os hemisférios cerebrais, podem estar relacionadas à dislexia. Estudos de neuroimagem mostraram diferenças estruturais e funcionais no cérebro de pessoas com dislexia. Evidências sugerem que algumas áreas do cérebro, como o córtex temporal e parietal, podem ser menores ou apresentar padrões de ativação diferentes em indivíduos com dislexia. Essas diferenças podem afetar a capacidade do cérebro de processar informações relacionadas à linguagem e à leitura.
  • Conectividade Neuronal: Áreas e circuitos neuronais específicos, cruciais para o aprendizado da leitura, são afetados nesse transtorno. A dislexia também pode ser associada a uma comunicação menos eficaz entre certos neurônios no cérebro. Isso pode resultar em dificuldades na transferência de informações importantes para áreas do cérebro responsáveis pela linguagem e pela leitura. Como resultado, as habilidades de leitura e escrita podem ser comprometidas. Pessoas com dislexia frequentemente apresentam menor conectividade entre as áreas cerebrais envolvidas na leitura, o que pode tornar mais difícil para elas processarem informações relacionadas aos sons das palavras.

3. Fatores Genéticos/Hereditários da Dislexia

Desde as primeiras pesquisas sobre a Dislexia, há décadas, percebeu-se uma tendência de o transtorno ocorrer em várias gerações da mesma família, onde um ou ambos os pais enfrentaram desafios de aprendizagem. Estudos genéticos recentes começaram a identificar possíveis cromossomos e genes relacionados à dislexia. No entanto, o mapa genético completo ainda não está totalmente compreendido, sendo necessário mais investigações nos próximos anos para entender melhor como a genética contribui para essa condição. No entanto, é fundamental destacar que a presença de pais disléxicos não garante automaticamente que os filhos terão o transtorno, mas aumenta a probabilidade.

Embora saibamos que a dislexia tenha uma base genética, e está frequentemente relacionada a fatores hereditários as causas exatas ainda não são totalmente compreendidas. Acredita-se que uma combinação complexa de fatores genéticos e ambientais possa desempenhar um papel no desenvolvimento da dislexia. Sánchez e Martín (1997) destacam a comparação entre gêmeos monozigóticos (mesma carga genética) e dizigóticos (parte da carga genética), indicando que se um dos gêmeos monozigóticos é disléxico, é provável que o outro apresente problemas de leitura. A probabilidade se reduz no caso dos dizigóticos.

A estrutura genética da dislexia é complexa e multifatorial, pois envolve uma combinação poligênica (dois ou mais genes de contribuir para o fenótipo) e de heterogeneidade (o mesmo distúrbio pode ter diversas origens, em diferentes indivíduos). Ademais, é provável que vários fatores de riscos genéticos tenham efeitos pequenos ou apenas estão implicados em casos raros ( CARRION-CASTILLO, FRANKE; FISHER, 2013).

  • A dislexia é altamente hereditária, com estudos apontando para a influência de genes específicos.
  • Mutações em cromossomos específicos também foram associadas ao transtorno.
  • Se um familiar tem dislexia, a probabilidade de outros membros da família apresentarem o transtorno aumenta significativamente.

A pesquisa identificou vários genes associados à dislexia, incluindo DYX1C1, DCDC2, KIAA0319 e ROBO1. Esses genes estão envolvidos em vários processos biológicos, como desenvolvimento cerebral, migração neuronal e formação de conexões entre os neurônios.

A hereditariedade é outra possível influência na dislexia. Vários estudos estabelecem uma conexão entre dificuldades de leitura e histórico familiar (FRANCS et al., 2002; CAPELLINI et al., 2007; BRAMBATI et al., 2006). Nopola-Hemmi et al. (2002) identificaram uma associação entre filhos de pais com problemas de leitura e a probabilidade de desenvolver o transtorno, atribuída à presença de genes localizados nos cromossomos 2, 6 e 15. A herança genética desempenha um papel significativo na variação da habilidade de leitura, com uma alta estimativa de herdabilidade. Se um dos pais tem dislexia, há um risco aumentado de a criança também apresentar o transtorno, especialmente se outros membros da família forem afetados (ZIEGLER et al., 2005).

Sinais e Sintomas da Dislexia

Os sinais e sintomas da dislexia podem variar, mas existem alguns sinais que podem ajudar a identificar o transtorno. Além da dificuldade para ler, escrever e soletrar, as pessoas com dislexia podem apresentar dificuldades na compreensão de textos escritos, mas compreendem normalmente quando as informações são transmitidas verbalmente. Confundir a ordem das letras em diferentes palavras e trocar letras graficamente parecidas, como “b” e “d”, também são sinais comuns da dislexia, assim como dificuldade em reconhecer rimas e aliterações. Além disso, a dislexia pode afetar a memória de curto prazo, a organização e a habilidade de associar os fonemas às letras e sílabas. É importante observar a persistência desses sinais ao longo do tempo para avaliar a possibilidade de dislexia.

Principais sinais de dislexia:

  • Dificuldade para ler, escrever e soletrar;
  • Dificuldade na compreensão de textos escritos, mas compreensão normal quando informações são transmitidas verbalmente;
  • Confusão na ordem das letras em diferentes palavras;
  • Trocas de letras graficamente parecidas, como “b” e “d”;
  • Dificuldade em reconhecer rimas e aliterações;
  • Problemas de memória de curto prazo;
  • Dificuldade em organizar ideias e informações;
  • Habilidade reduzida em associar os fonemas às letras e sílabas.

A persistência desses sinais ao longo do tempo é um indicativo importante para avaliar a possibilidade de dislexia. Caso esses sinais sejam identificados, é fundamental buscar a avaliação de uma equipe multidisciplinar especializada para um diagnóstico preciso e elaboração de estratégias de suporte e intervenção adequadas.

sinais de dislexia

Tipo de SinalDescrição
Dificuldade para ler, escrever e soletrarAs pessoas com dislexia têm dificuldade em identificar letras e seus sons correspondentes, o que afeta a fluência e a precisão da leitura, escrita e soletração.
Dificuldade na compreensão de textos escritosEmbora possam compreender informações quando transmitidas verbalmente, as pessoas com dislexia podem ter dificuldade em compreender textos escritos, especialmente quando são longos ou complexos.
Confusão na ordem das letras em diferentes palavrasA dislexia pode causar confusão na ordem das letras em diferentes palavras, o que pode dificultar a leitura e a escrita correta.
Trocas de letras graficamente parecidasLeituras e escritas com confusão entre letras que são visualmente parecidas, como “b” e “d”, são comuns em pessoas com dislexia.
Dificuldade em reconhecer rimas e aliteraçõesA dislexia pode dificultar o reconhecimento de padrões sonoros, como rimas e aliterações, o que pode afetar a habilidade de compreensão e produção de textos.
Problemas de memória de curto prazoA dislexia pode impactar a memória de curto prazo, dificultando o armazenamento e a recuperação de informações necessárias para a leitura e escrita.
Dificuldade em organizar ideias e informaçõesOrganizar ideias e informações pode ser um desafio para pessoas com dislexia, afetando a estruturação de textos escritos e a compreensão de textos lidos.
Habilidade reduzida em associar os fonemas às letras e sílabasA dislexia pode dificultar a conexão entre os sons da fala (fonemas) e as letras e sílabas que representam esses sons, prejudicando a precisão da leitura e escrita.

Diagnóstico da Dislexia

O diagnóstico da dislexia é uma etapa fundamental para identificar e compreender as dificuldades de aprendizagem de um indivíduo. Ele envolve uma avaliação abrangente realizada por uma equipe multidisciplinar composta por médicos, psicólogos, psicopedagogos, fonoaudiólogos e neurologistas. O objetivo é descartar outras possíveis explicações para as dificuldades e investigar o desenvolvimento geral das funções neuropsicológicas, bem como possíveis aspectos emocionais, neurológicos, psiquiátricos ou sensoriais que possam estar interferindo na aprendizagem.

A equipe multidisciplinar realizará uma série de testes e avaliações, como testes de inteligência, avaliação neuropsicológica, avaliação da linguagem oral e escrita, exames de audição e visão, entre outros. Essa avaliação minuciosa permite uma análise abrangente das habilidades cognitivas, linguísticas e sensoriais do indivíduo, auxiliando no diagnóstico preciso da dislexia.

Além da avaliação pelos profissionais de saúde, é importante observar o ambiente escolar e a escolarização do indivíduo. É comum que as dificuldades de aprendizagem causadas pela dislexia sejam percebidas inicialmente na escola, onde a criança pode apresentar problemas na leitura, escrita, soletração e compreensão de textos. O feedback da equipe escolar e dos professores é valioso para o processo de diagnóstico.

O diagnóstico precoce da dislexia é essencial para que o indivíduo possa receber o suporte adequado o mais cedo possível. Quanto mais cedo a dislexia for identificada, maiores são as chances de sucesso no tratamento e na implementação de estratégias educacionais adequadas. O diagnóstico precoce também contribui para minimizar o impacto emocional e promover o bem-estar geral do indivíduo.

diagnóstico de dislexia

Um diagnóstico preciso também é crucial para evitar equívocos e rótulos inadequados. Muitas vezes, pessoas com dislexia são erroneamente rotuladas como preguiçosas, desatentas ou com falta de habilidade. Com o diagnóstico adequado, é possível desenvolver um plano de tratamento individualizado, que inclui adaptações no ambiente familiar e escolar, suporte profissional e estratégias de aprendizagem específicas para ajudar o indivíduo a superar as dificuldades causadas pela dislexia.

AvaliaçãoProfissionais
 Testes de inteligência e habilidades cognitivas Psicólogos
 Avaliação neuropsicológica Neuropsicólogos
 Avaliação da linguagem oral e escrita Psicopedagogos
 Exames de audição Fonoaudiólogos
 Exames de visão Oftalmologistas

O diagnóstico da dislexia é uma etapa crucial para proporcionar o suporte necessário e direcionar o tratamento adequado. Com uma equipe multidisciplinar, é possível compreender as dificuldades específicas do indivíduo e desenvolver estratégias eficazes para contornar as barreiras de aprendizagem causadas pela dislexia.

Tratamento para Dislexia

O tratamento para dislexia é um processo abrangente que envolve uma abordagem multidisciplinar, combinando suporte profissional, apoio familiar e adaptações no ambiente escolar. Essa combinação de estratégias visa ajudar a pessoa com dislexia a superar as dificuldades de aprendizado e desenvolver suas habilidades.

Um aspecto fundamental do tratamento é o suporte profissional fornecido por especialistas, como psicólogos, psicopedagogos e fonoaudiólogos, que possuem conhecimentos específicos sobre dislexia. Eles podem ajudar a pessoa a desenvolver técnicas de leitura e escrita, além de explorar suas habilidades e pontos fortes. É importante mencionar que o tratamento deve ser personalizado para atender às necessidades individuais de cada pessoa com dislexia.

O suporte familiar desempenha um papel crucial no tratamento da dislexia. A compreensão e o apoio dos familiares podem ajudar a pessoa a lidar com a frustração e a desenvolver uma autoestima positiva. Além disso, a família pode promover um ambiente propício ao aprendizado, com práticas diárias de leitura e escrita, jogos educativos e atividades que estimulam o desenvolvimento de habilidades linguísticas.

No ambiente escolar, é essencial realizar adaptações adequadas para garantir que a pessoa com dislexia possa participar plenamente do processo educativo. Algumas adaptações incluem:

  • Uso de recursos visuais, como imagens e gráficos, para auxiliar na compreensão;
  • Utilização de materiais didáticos adaptados, como textos com fonte e espaçamento adequados;
  • Flexibilidade nas avaliações, considerando diferentes formas de expressão, como provas orais;
  • Oferta de suporte individualizado, como aulas de reforço ou acompanhamento pedagógico;
  • Estímulo ao uso de tecnologias assistivas, como softwares de leitura e escrita.

O tratamento para dislexia requer paciência e persistência, pois cada pessoa responde de maneira única às estratégias utilizadas. O apoio contínuo dos profissionais, da família e da escola é fundamental para o progresso e o bem-estar da pessoa com dislexia.

tratamento para dislexia

Abordagens de Intervenção para Dislexia

Existem diversas abordagens de intervenção que podem ser utilizadas para auxiliar pessoas com dislexia a superar suas dificuldades de aprendizagem. Essas abordagens visam fornecer suporte psicopedagógico, psicológico e fonoaudiológico, com o objetivo de desenvolver estratégias específicas para cada indivíduo e ajudá-lo a atingir seu máximo potencial.

Uma das principais abordagens é o apoio psicopedagógico, que consiste em orientar os professores a adaptar o ensino às necessidades da pessoa com dislexia. Isso pode incluir o uso de métodos de ensino alternativos, materiais didáticos personalizados e atividades de aprendizagem que estimulem as habilidades cognitivas e linguísticas do indivíduo. Além disso, é importante promover um ambiente inclusivo e acolhedor, onde o estudante se sinta seguro para expressar suas dificuldades e receber suporte adequado.

O apoio psicológico também desempenha um papel fundamental no tratamento da dislexia. Muitas vezes, as pessoas com dislexia enfrentam desafios emocionais, como baixa autoestima, ansiedade e frustração. O suporte psicológico pode ajudar a pessoa a lidar com essas emoções, explorar suas habilidades e trabalhar o desenvolvimento da confiança. Os profissionais de psicologia podem auxiliar no processo de aceitação da dislexia e no fortalecimento da resiliência para enfrentar os desafios cotidianos.

A terapia fonoaudiológica também desempenha um papel importante no tratamento da dislexia. Essa abordagem visa aprimorar as habilidades de linguagem e comunicação do indivíduo, incluindo a leitura, escrita e soletração. O fonoaudiólogo utiliza diferentes técnicas e exercícios para desenvolver a consciência fonológica, a discriminação auditiva, a fluência verbal e outras habilidades necessárias para o processo de leitura e escrita.

É importante ressaltar que as abordagens de intervenção podem variar de acordo com as necessidades e características individuais de cada pessoa com dislexia. O acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, composta por profissionais da educação, psicopedagogia, psicologia e fonoaudiologia, é essencial para identificar as estratégias mais adequadas e fornecer um suporte abrangente.

Importância do Diagnóstico e Tratamento Precoce

O diagnóstico e o tratamento precoce da dislexia são fundamentais para minimizar o impacto emocional e promover o suporte adequado para a pessoa com o transtorno. Muitas pessoas com dislexia desenvolvem sentimentos de incapacidade e recebem rótulos depreciativos no ambiente acadêmico. O diagnóstico precoce permite que a pessoa receba o suporte necessário desde cedo e possa desenvolver estratégias para lidar com as dificuldades de aprendizagem. Além disso, o suporte familiar e escolar, juntamente com adaptações no ensino e avaliação, podem contribuir para o sucesso acadêmico e emocional do indivíduo.

A dislexia pode ter um impacto emocional significativo na vida de quem convive com o transtorno. A pessoa com dislexia pode enfrentar dificuldades em acompanhar o ritmo dos colegas de classe, o que pode levar a uma queda na autoestima, ansiedade e até mesmo depressão. Nesse sentido, o diagnóstico precoce desempenha um papel fundamental, pois permite que a pessoa tenha acesso ao suporte necessário para lidar com esses desafios emocionais e desenvolver estratégias para enfrentar as dificuldades acadêmicas.

Além do suporte emocional, o tratamento precoce também possibilita a implementação de adaptações no ambiente escolar e familiar. Essas adaptações podem incluir estratégias de ensino diferenciadas, ferramentas de assistência para leitura e escrita, e a criação de um ambiente de aprendizagem mais inclusivo e acolhedor.

No entanto, é importante ressaltar que cada pessoa com dislexia é única, e o tratamento deve ser personalizado de acordo com as necessidades individuais. Por isso, é fundamental buscar o auxílio de profissionais especializados, como psicólogos, psicopedagogos e fonoaudiólogos, que possam oferecer o suporte adequado e orientar o desenvolvimento de estratégias específicas para cada caso.

No geral, o diagnóstico e o tratamento precoce da dislexia são essenciais para garantir que a pessoa com o transtorno receba o suporte e as ferramentas necessárias para superar as dificuldades de aprendizagem e alcançar seu pleno potencial. O investimento na identificação e intervenção precoces pode fazer toda a diferença na vida de quem convive com a dislexia, proporcionando uma jornada acadêmica e emocional mais positiva e bem-sucedida.

Conclusão

A dislexia é um transtorno de aprendizagem que afeta a capacidade de ler, escrever e compreender textos de forma eficiente. É uma condição inata, com origem genética, que pode ter impacto em diversas áreas do desenvolvimento, incluindo o aprendizado acadêmico e as habilidades sociais. O diagnóstico precoce e o suporte adequado são fundamentais para ajudar as pessoas com dislexia a superar as dificuldades e atingir seu máximo potencial.

Com uma abordagem multidisciplinar, envolvendo profissionais especializados e a implementação de estratégias específicas, é possível oferecer apoio individualizado às pessoas com dislexia. Adaptar o ambiente escolar, fornecer acompanhamento psicopedagógico e suporte emocional são alguns dos passos importantes para promover o sucesso acadêmico e o bem-estar dessas pessoas.

É fundamental que a sociedade como um todo compreenda a dislexia e suas particularidades, para que haja uma maior inclusão e respeito às pessoas que convivem com esse transtorno. Conscientização, informação e educação são a chave para criarmos um ambiente mais acolhedor e propício ao desenvolvimento das habilidades das pessoas com dislexia.

Em resumo, a dislexia pode trazer desafios na aprendizagem, mas com o diagnóstico precoce, suporte adequado e estratégias de intervenção, é possível minimizar as dificuldades e permitir que as pessoas com dislexia alcancem seu pleno potencial acadêmico e pessoal.

FAQ

O que é a dislexia?

A dislexia é um transtorno da aprendizagem que afeta a capacidade de associação das letras aos sons que elas representam, resultando em dificuldades na leitura, escrita, soletração e compreensão de textos.

Quais são os sinais e sintomas da dislexia?

Os sintomas da dislexia podem incluir dificuldade na leitura, escrita e soletração, além de dificuldade na compreensão de textos escritos. Outros sinais de dislexia incluem confusão na ordem das letras em diferentes palavras e trocas de letras graficamente semelhantes, como “b” e “d”.

Como é feito o diagnóstico da dislexia?

O diagnóstico da dislexia envolve uma avaliação por uma equipe multidisciplinar composta por médicos, psicólogos, psicopedagogos, fonoaudiólogos e neurologistas. O objetivo é descartar outras possíveis explicações para as dificuldades de aprendizagem e investigar o desenvolvimento geral das funções neuropsicológicas.

Qual é o tratamento para a dislexia?

O tratamento para dislexia envolve uma abordagem multidisciplinar, que inclui apoio profissional, suporte familiar e adaptações no ambiente escolar. O acompanhamento profissional pode ajudar a pessoa com dislexia a desenvolver estratégias para contornar as dificuldades do dia a dia.

Quais são as causas da dislexia?

A dislexia tem uma origem genética e é frequentemente transmitida através de fatores hereditários. Acredita-se que genes específicos que afetam o desenvolvimento de certas áreas do cérebro estão relacionados ao transtorno.

Quais são as abordagens de intervenção para a dislexia?

As abordagens de intervenção para a dislexia envolvem diferentes estratégias para apoiar a pessoa com o transtorno. Isso pode incluir apoio pedagógico, suporte psicológico e terapia fonoaudiológica.

Qual é a importância do diagnóstico e tratamento precoce da dislexia?

O diagnóstico e o tratamento precoce da dislexia são fundamentais para minimizar o impacto emocional e promover o suporte adequado para a pessoa com o transtorno.

Links de Fontes

Auxiliadora Lemos
Auxiliadora Lemos

Sou Auxiliadora Lemos. Professora e Psicopedagoga Clínica com mais de 18 anos de experiência na área. Esse espaço é dedicado a assuntos da Psicopedagogia, para guiar estudantes, recém-formados e profissionais que estão começando na área. Meu objetivo é oferecer suporte, compartilhar conhecimentos, dar dicas de recursos e facilitar a transição acadêmica à prática psicopedagógica. Vamos explorar juntos o fascinante universo do desenvolvimento humano e da aprendizagem!

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