Dificuldades de Aprendizagem

ENTENDA AS DIFICULDADES ESPECÍFICAS DE APRENDIZAGEM: UMA IMERSÃO NA DEFINIÇÃO, NAS CAUSAS E NOS SINAIS

VOCÊ SABE O QUE SÃO DIFICULDADES ESPECÍFICAS DE APRENDIZAGEM?

Esta simples pergunta esconde um vasto e complexo universo que permeia as experiências educacionais de muitos indivíduos. À medida que nos aventuramos por esse caminho, nos deparamos com desafios que transcendem o mero ato de adquirir conhecimento. As dificuldades de aprendizagem são como intrincados quebra-cabeças, cujas peças se entrelaçam com fatores pedagógicos, emocionais, cognitivos e sociais. Essas dificuldades são obstáculos que afetam o processo educacional e podem ter diversas causas. É importante compreender o conceito dessas dificuldades, assim como identificar os sinais que indicam a presença desses problemas.

Neste artigo, mergulharemos na essência dessas dificuldades, buscando desvendar seus mistérios e desafios. Afinal, compreender as barreiras que se interpõem no processo de aprendizagem é o primeiro passo para construir pontes que conduzam a uma educação mais inclusiva e eficaz. Acompanhe-nos nessa jornada rumo ao entendimento das dificuldades de aprendizagem. Vamos explorar o tema das dificuldades de aprendizagem, fazendo uma imersão na definição, causas e sinais.

1. Desvendando o Mundo das Dificuldades de Aprendizagem

A Aprendizagem escolar é um processo complexo que envolve o desenvolvimento de habilidades acadêmicas, entendimento de conceitos e aquisição de conhecimentos. No entanto, nem todas as crianças, jovens e adultos enfrentam a aprendizagem com o mesmo nível de facilidade. Algumas pessoas apresentam dificuldades de aprendizagem, que são desafios específicos no processo de adquirir e aplicar conhecimento.

Referente a temática da Dificuldade de Aprendizagem, há variações de entendimento entre os pesquisadores e até mesmo uma aplicação não uniforme desta terminologia, tanto na literatura especializada quanto entre os profissionais que trabalham na área. Conforme mencionado, existe uma ausência de consenso e, frequentemente, discordâncias entre diferentes autores em relação à utilização e interpretação dos termos como distúrbios de aprendizagem, problemas de aprendizagem, transtorno de aprendizagem, dificuldades de aprendizagem, discapacidades, entre outros.

Reconhecendo a diversidade de terminologias global na literatura (livros e autores) da área e respeitando as diversas influências culturais, sociais, econômicas, políticas e ideológicas que moldam os paradigmas terminológicos, esse Artigo propõe a adoção de duas terminologias específicas para o assunto em questão: “dificuldades de aprendizagem” e “transtorno de aprendizagem”, reconhecendo a importância de diferenciar situações distintas nesse contexto.

Considerando essa perspectiva, vamos listar apenas alguma definições que atualmente consideramos importantes na abordagem desse artigo. Vale ressaltar que essas definições não são definitivas, pois o campo da Ciência é dinâmico, e constantemente surgem atualizações, contrapondo o que é aceito e utilizado.

2. Definindo as Dificuldades de Aprendizagem

Vítor da Fonseca introduziu o termo “Dificuldades de Aprendizagem” (DA) pela primeira vez em 1984, em seu livro “Uma Introdução às Dificuldades de Aprendizagem”, como tradução do termo original “Learning Disabilities”. Este livro representa um marco científico pioneiro em publicações relacionadas às Dificuldades de Aprendizagem em Portugal, seguindo de perto o conceito que vinha sendo sugerido nos Estados Unidos da América desde 1963.

Dentre as concepções de dificuldade de aprendizagem abordadas na literatura especializada, Fonseca em seu livro Dificuldades de Aprendizagem: Abordagem Neuropsicopedagógica (2016), ressalta a definição norte-americano da National Joint Committee of Learning Disabilities (NJCLD), de 1988, que se estabeleceu como referência para pesquisas e estudos na área, como sendo presentemente, a que reúne internacionalmente maior consenso. “Dificuldades de Aprendizagem (DA) é uma designação geral que se refere a um grupo heterogêneo de desordens manifestadas por dificuldades significativas na aquisição e na utilização da compreensão auditiva, da fala, da leitura, da escrita e do raciocínio matemático. Tais desordens consideradas intrínsecas ao indivíduo e presumindo-se que sejam devidas a uma disfunção do sistema nervoso central, podem ocorrer e durante toda a vida. Problemas na autorregulação do comportamento, na percepção social e na interação social podem coexistir com as DA. Apesar de as DA ocorrerem com outras deficiências (sensorial, deficiência mental, distúrbio socioemocional), ou com influências extrínsecas (diferenças culturais, insuficiente ou inadequada instrução pedagógica), elas não são o resultado dessas condições.”

Kirk, define Dificuldades de Aprendizagem (DA), como: “um atraso, uma desordem ou uma imaturidade num ou mais processos, da linguagem falada, da leitura, da ortografia, da caligrafia ou da aritmética, resultantes de uma possível disfunção cerebral e/ou de distúrbios de comportamento, e não dependentes de uma deficiência mental, de uma privação sensorial, visual ou auditiva, de uma privação cultural, ou de um conjunto de fatores pedagógicos.”

O termo “dificuldades de aprendizagem” foi idealizado por Samuel Alexander Kirk. Ele foi um dos pioneiros relevantes no campo das DA (dificuldades de aprendizagem), onde iniciou sua carreira voltada para a deficiência mental. Kirk teve seus estudos voltados para a Neurologia, Fisiologia e Psicologia Experimental. Esse termo dificuldade de aprendizagem para ele, se refere a dificuldades que englobam diversos fatores, provocando ciclos falhos ou reduzidos nos processos de aprendizagem.

Contudo, de acordo com Sisto (2001), foi apenas em 1963 que se alcançou um consenso significativo sobre o termo, delineando assim o campo das dificuldades de aprendizagem. Nesse período, o psicólogo americano Samuel A. Kirk associou as dificuldades de aprendizagem a questões escolares. Ao introduzir o termo “Learning Disabilities” (Dificuldades de Aprendizagem), Kirk referia-se a atrasos ou desordens em um ou mais processos relacionados à fala, leitura, escrita ou matemática, excluindo a deficiência mental, privação sensorial ou cultural. Essa mudança marcou a transição do enfoque médico (patológico) para uma abordagem psicoeducacional, cujo objetivo era fornecer explicações e informações às crianças sobre seus problemas, auxiliando-as a lidar com as dificuldades apresentadas.

Kirk, depois de longos anos de trabalho laboratorial, desenvolveu um importante teste voltado para a intervenção da DA. Esse teste é O ITPA (The Illinois Test of psycholinguistic Abilities) que contribuiu para o progresso e o desenvolvimento do campo da DA, pois permite detectar o “perfil individual” e o “estilo de aprendizagem” dos aprendizes com DA. Portanto, a DA (dificuldade de aprendizagem), trata-se de uma variedade de condições que podem afetar o processo educacional de uma criança, jovem ou adulto. A identificação dessas dificuldades é fundamental para promover intervenção psicopedagógica e estratégias de ensino adequadas.

A Classificação Internacional de Doenças (CID) foi reformulada para atender às necessidades de um mundo cada vez mais conectado, onde o acesso à informação é instantâneo e a comunicação global é uma realidade. A (CID) está em sua 11ª revisão, após mais de dez anos de meticuloso desenvolvimento, finalmente se tornou realidade. Essa nova ferramenta, totalmente eletrônica e multilíngue, representa um salto significativo no campo da saúde global, prometendo resultados mais precisos e eficientes. A nova atualização entrou em vigor em 2022. A principal função da CID é ajudar no estudo de doenças, monitorar e padronizar cada uma delas. Cada doença, distúrbio, transtorno ou problema relacionado à saúde tem uma classificação específica, para direcionar nesse controle padronizado.

A CID -11 pontua o transtorno da aprendizagem como: Distúrbio de Aprendizagem Desenvolvimental.  É caracterizada por dificuldades significativas e persistentes em aprender habilidades acadêmicas, que podem incluir leitura, escrita ou aritmética. desempenho do indivíduo na habilidade acadêmica afetada(s) é marcadamente abaixo do que seria esperado para a idade cronológica e nível geral de funcionamento intelectual, e resulta em prejuízo significativo no trabalho acadêmico ou do indivíduo.

A Associação Americana de Psiquiatria lançou a nova versão em 2014 do DSM – 5 revisado e atualizado, para adaptar-se aos avanços científicos e sociais. O DSM é um instrumento essencial para o diagnóstico e tratamento de transtornos mentais, com impacto significativo na saúde mental global. É importante ressaltar que o diagnóstico não define uma pessoa, mas serve como ferramenta para compreender e direcionar o tratamento. A utilização adequada do DSM garante um atendimento de qualidade e promove a pesquisa e o desenvolvimento na área da saúde mental.

O transtorno específico da aprendizagem, segundo o DSM 5, está relacionado a dificuldades de aprendizagem ou de outras habilidades que podem ser desenvolvidas no meio acadêmico. As dificuldades podem aparecer em um ou mais campos como na leitura, escrita e cálculos matemáticos.

Por conseguinte, nessa mesma perspectiva, é válido mencionar o Código Internacional de Doenças (CID-11) e o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM – V). Ambos os manuais classificam as dificuldades de aprendizagem como transtornos, que podem persistir até a idade adulta. O diagnóstico dessas dificuldades é geralmente realizado por meio de testes padronizados, administrados de forma individual, abrangendo áreas como leitura, matemática, motricidade, expressão escrita, entre outros. Os resultados desses testes indicarão níveis de desempenho abaixo do esperado para a idade, escolarização e grau de inteligência do indivíduo

As dificuldades de aprendizagem podem afetar negativamente o desenvolvimento acadêmico, a autoestima e o crescimento profissional. É essencial que pais, professores e profissionais de saúde trabalhem em conjunto para identificar e intervir adequadamente nas dificuldades de aprendizagem e ajudar o indivíduo a desenvolver todo o seu potencial.

A compreensão das dificuldades de aprendizagem, suas causas e sinais é fundamental para promover uma educação inclusiva e de qualidade. Identificar e intervir precocemente nas dificuldades de aprendizagem é essencial para garantir que todos os alunos tenham a oportunidade de se desenvolver plenamente e alcançar seu potencial máximo.

3. Principais Causas das Dificuldades de aprendizagem

As causas das dificuldades de aprendizagem ainda permanecem um enigma a ser desvendado. Cientistas acreditam que a origem reside em distúrbios na comunicação entre diferentes áreas do cérebro, dificultando a integração e o processamento das informações. Imagine uma grande orquestra: cada músico representando uma área do cérebro e suas funções. Nos transtornos de aprendizagem, a melodia se torna dissonante, com falhas na comunicação entre os “músicos”, impactando a capacidade de aprender.

As causas das dificuldades de aprendizagem podem variar de pessoa para pessoa. Fatores como disfunções neurológicas, condições de saúde, fatores genéticos e ambientais. Tais causas são multifatoriais e complexas, não têm uma causa definida, são totais ou parcialmente irreversíveis, levando-se à suposição de fatores biológicos para a etiologia. Qualquer fator que possa alterar o desenvolvimento cerebral do feto facilita o surgimento de um quadro de transtorno da aprendizagem, influenciados por uma combinação de fatores neurobiológicos, alterações no funcionamento cerebral, geralmente de origem genética ou hereditária.

De acordo com Vítor da Fonseca em seu livro Dificuldade de Aprendizagem (5ª edição), ele ver a interação mútua entre a etiologia hereditária e neurobiológica e a etiologia sociocultural das Dificuldades Específicas de Aprendizagem (DAE). Essa interação pode ser explicada por fatores intrínsecos e extrínsecos. Vários autores abordaram os fatores envolvidos nesse processo, destacando que eles podem estar relacionados tanto a elementos intrínsecos quanto extrínsecos à criança, resultando, muitas vezes, em fracasso escolar.

É importante ressaltar que ao mencionar esses fatores, não perdemos de vista a compreensão de que as dificuldades de aprendizagem são fenômenos multifacetados e complexos, nos quais diversos elementos podem contribuir simultaneamente. Os fatores intrínsecos referem-se as características inerentes ao próprio indivíduo que podem influenciar negativamente seu processo de aprendizado. Esses fatores são geralmente associados a questões neurobiológicas e cognitivas. No que diz respeito aos fatores extrínsecos, observa-se características voltadas para aspectos social, familiar, educacional, socioeconômica e cultural.

Fatores Intrínsecos (genéticos): São aquele que estão relacionados ao próprio indivíduo e podem contribuir para o desenvolvimento de dificuldades de aprendizagem. Os fatores neurobiológicos podem estar associados a disfunções cerebrais, como anomalias na estrutura ou funcionamento do cérebro. Estudos científicos relatam que não há dúvidas de que as dificuldades de aprendizagem surgem a partir de fatores biológicos divididos em quatro categorias gerais: 1) lesão cerebral; 2) erros no desenvolvimento cerebral; 3) desequilíbrios neuroquímicos; e, 4) hereditariedade.

Fatores Extrínsecos (experiências): são aqueles que estão relacionados ao ambiente: socioeconômico, cultural e/ou afetivo. Os fatores ambientais envolvidos nas dificuldades para a aprendizagem podem ser divididos em: Fatores relacionados com a escola; Fatores relacionados com a família e os Fatores relacionados com a criança. Assim, os estudos têm demonstrado a múltipla etiologia do insucesso escolar: metodologia de ensino; contexto familiar e social.

Embora o desenvolvimento da aprendizagem seja influenciado por diversos fatores interligados, as bases biológicas desempenham um papel fundamental. O cérebro, como órgão central do sistema nervoso, é responsável por processar informações, controlar funções motoras e sensoriais, e armazenar memórias, sendo essencial para o aprendizado.

 Os Fatores Intrínsecos (genéticos) incluem:
1. Lesões Cerebrais

Acidentes: Traumas cranianos podem resultar em lesões cerebrais com diferentes níveis de severidade, impactando funções cognitivas e motoras relacionadas à aprendizagem.

Hemorragias cerebrais: Sangramentos no interior do crânio podem danificar áreas do cérebro responsáveis por funções como linguagem, memória e atenção, afetando o processo de aprendizagem.

– Tumores: O crescimento anormal de células no cérebro pode gerar pressão e comprometer o funcionamento cerebral, levando a dificuldades de aprendizagem, dependendo da localização e do tipo de tumor.

– Doenças: Infecções como encefalite e meningite podem inflamar o tecido cerebral e causar danos permanentes, impactando o desenvolvimento da linguagem, memória e outras habilidades essenciais para a aprendizagem.

– Transtornos glandulares: Alterações hormonais não tratadas na primeira infância, como hipotireoidismo, podem influenciar o desenvolvimento cerebral e, consequentemente, a capacidade de aprendizagem.

– Hipoglicemia na primeira infância: Níveis baixos de glicose no sangue podem afetar o desenvolvimento cerebral e levar a problemas de memória, atenção e concentração, impactando o aprendizado.

– Desnutrição: A falta de nutrientes essenciais durante o desenvolvimento cerebral, especialmente na infância, pode prejudicar a formação de células nervosas e conexões neurais, impactando funções cognitivas como memória, atenção e linguagem.

– Substâncias Químicas Tóxicas: A exposição a chumbo e pesticidas, mesmo em baixas doses, pode ser neurotóxica, causando danos ao cérebro em desenvolvimento e levando a problemas de aprendizagem.

– Tratamentos com Radiação e Quimioterapia: A radiação aplicada ao crânio e a quimioterapia podem danificar células cerebrais, especialmente em crianças, levando a dificuldades de aprendizagem.

– Privação de Oxigênio: Eventos como sufocação, afogamento, inalação de fumaça, envenenamento por monóxido de carbono e algumas complicações do parto podem privar o cérebro de oxigênio, causando danos irreversíveis e impactando o aprendizado.

2. Alteração/Erros no Desenvolvimento Cerebral

O tipo de problemas produzido por alterações no desenvolvimento cerebral depende, em parte, das regiões do cérebro afetadas.

2.1 Hemisfério Cerebral Esquerdo: esse hemisfério é especializado nas funções da linguagem (leitura, escrita, fala, compreensão e memória para materiais verbais), como também a lógica e análise.

  • Funções: Linguagem, lógica, matemática, análise, resolução de problemas, sequenciamento.
  • Dificuldades de Aprendizagem Associadas: 

Dislexia: Dificuldade com leitura e escrita, incluindo decodificação de palavras, compreensão de textos e ortografia;

– Discalculia: Dificuldade com matemática, incluindo conceitos numéricos, operações matemáticas e resolução de problemas;

– Afasia: Dificuldade com linguagem, incluindo compreensão, fala, leitura e escrita;

– Agnosia: Dificuldade em reconhecer objetos, faces ou sons.

2.2 Hemisfério Cerebral Direito: esse hemisfério é especializado em organizar e processar o não-verbal. Aprendizes com deficiência no córtex cerebral direito podem ter problemas com o senso de tempo, consciência corporal, orientação espacial, percepção e memória visuais.

  • Funções: Visuoespacial, percepção espacial, criatividade, imaginação, reconhecimento de padrões, habilidades motoras finas.
  • Dificuldades de Aprendizagem Associadas:

Disgrafia: Dificuldade com escrita à mão, incluindo caligrafia, coordenação motora fina e legibilidade;

– Agnosia visual: Dificuldade com reconhecimento de objetos, formas e cores;

– Apraxia: Dificuldade com planejamento e execução de movimentos coordenados.

2.3 Lobos Frontais do Córtex Cerebral: esses lobos frontais governam o comportamento motor e regiões envolvidas como: planejamento, julgamento, foco da atenção, organização e na avaliação de informações e na moderação das emoções. Quando essas regiões frontais do cérebro não estão funcionando de maneira eficiente, os aprendizes apresentam problemas de coordenação muscular, articulação, controle dos impulsos, planejamento, organização e manutenção da atenção. Problemas desse tipo afetam a prontidão dos alunos para a instrução em sala de aula e criam impressão geral de imaturidade, mesmo quando são capazes de funcionar em um alto nível intelectualmente.

  • Funções: Atenção, concentração, memória de trabalho, planejamento, organização, controle de impulsos, tomada de decisões.

Lobos Frontais do Córtex Cerebral e Funções Cognitivas:

– Planejamento: Estabelecer metas, organizar tarefas e tomar decisões;

– Atenção: Concentrar-se em uma tarefa e evitar distrações;

– Memória de trabalho: Armazenar e manipular informações temporariamente;

– Flexibilidade cognitiva: Adaptar-se a novas situações e mudar de estratégia quando necessário;

– Inibição: Controlar impulsos e comportamentos inadequados.

  • Dificuldades de Aprendizagem Associadas:

Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): Dificuldade com atenção, concentração, controle de impulsos e organização;

– Transtorno de Aprendizagem Não Verbal (TANV): Dificuldade com habilidades visuoespaciais, percepção social e comunicação não verbal;

– Dificuldades com memória de trabalho e funções executivas.

3. Desequilíbrio Neuroquímico

Imagine o cérebro como uma orquestra complexa, onde cada célula nervosa, ou neurônio, atua como um músico. Para que a música flua em perfeita harmonia, os neurônios se comunicam entre si através de mensageiros químicos chamados neurotransmissores.

Assim como uma orquestra precisa de afinação para soar bem, os níveis de neurotransmissores no cérebro precisam estar em um equilíbrio delicado para garantir o funcionamento adequado. Alterações nesse equilíbrio, mesmo que pequenas, podem afetar a comunicação entre os neurônios e prejudicar diversas funções, incluindo a aprendizagem.

Desequilíbrios e Dificuldades de Aprendizagem:

Evidências científicas crescentes indicam que desequilíbrios neuroquímicos podem contribuir para alguns transtornos de aprendizagem, principalmente aqueles que afetam a atenção, a concentração e o controle dos impulsos. Um exemplo notável é o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

TDAH: Um Exemplo de Desequilíbrio Neuroquímico:

No TDAH, pesquisas sugerem que os níveis de certos neurotransmissores, como dopamina e noradrenalina, podem estar desbalanceados. Isso pode levar a sintomas como dificuldade em prestar atenção, impulsividade, hiperatividade e desorganização.

Importância da Investigação e Intervenção:

Compreender o papel dos neurotransmissores nas dificuldades de aprendizagem é crucial para o desenvolvimento de novas estratégias de diagnóstico e tratamento. Através de pesquisas e intervenções adequadas, podemos ajudar indivíduos com TDAH e outros transtornos a superar seus desafios e alcançar seu potencial máximo.

4. Fatores Genéticos: A Hereditariedade nas Dificuldades de Aprendizagem

Desde meados da década de 1980, pesquisas revelaram que a hereditariedade exerce um papel mais significativo do que se imaginava na predisposição a dificuldades de aprendizagem. Estudos com famílias de crianças com essas dificuldades consistentemente identificaram uma prevalência acima da média de problemas semelhantes entre pais, irmãos e outros parentes.

Desvendando a Teia Genética:

  • Estudos Familiares: A análise meticulosa de famílias com histórico de dificuldades de aprendizagem forneceu pistas cruciais sobre a influência genética. Estudos com gêmeos, por exemplo, fornecem pistas valiosas. Se um gêmeo idêntico apresenta dislexia, a probabilidade do outro gêmeo também ter dislexia é consideravelmente maior do que em gêmeos fraternos. Essa similaridade genética reforça a influência da hereditariedade na predisposição a tais dificuldades.
  • Prevalência Aumentada: Observou-se uma frequência significativamente maior de problemas de aprendizagem entre familiares de crianças com tais dificuldades. A busca por genes específicos associados às dificuldades de aprendizagem vem progredindo, mas ainda há muito a ser descoberto. Diversos genes candidatos foram identificados, mas seus efeitos individuais geralmente são pequenos.
  • Compartilhamento Genético: Essa alta prevalência sugere que genes específicos podem estar relacionados ao desenvolvimento de tais desafios. Essa investigação complexa busca compreender como esses genes influenciam o desenvolvimento cerebral e as funções cognitivas relacionadas à aprendizagem.
  • Interação Complexa: É importante ressaltar que a genética não é o único fator determinante. A hereditariedade não é o único fator determinante. Fatores ambientais, como nutrição, qualidade do ensino e estimulação social, também exercem um papel crucial no desenvolvimento da aprendizagem.

Implicações e Considerações Importantes:

  • Compreensão Aprimorada: A investigação da hereditariedade contribui para uma compreensão mais profunda das causas das dificuldades de aprendizagem.
  • Diagnóstico Preciso: O conhecimento sobre a influência genética pode auxiliar no diagnóstico preciso e na identificação de indivíduos mais propensos a apresentar tais desafios.
  • Intervenções Personalizadas: Essa compreensão abre caminho para o desenvolvimento de intervenções personalizadas e eficazes para cada indivíduo.
  • Desafios e Obstáculos: A pesquisa sobre a genética das dificuldades de aprendizagem ainda enfrenta desafios, como a complexa interação entre genes e ambiente.
5. Influências Ambientais: Fatores Extrínsecos

Os obstáculos voltados as influências ambientais estão interligadas aos Fatores Extrínsecos (experiências), os quais estão relacionados ao ambiente (socioeconômico, cultural e/ou afetivo). Tais dificuldades de aprendizagem podem ser causadas por uma variedade de fatores, dentre eles os  influenciados pelo ambiente em que vivem; situações relacionadas ao sistema educacional deficitário;  problemas familiares e emocionais do aluno; a presença de doenças/condições físicas (visão, desnutrição, …); a falta de atenção/suporte para aluno aprender.

A dificuldade de aprendizagem está intrinsecamente relacionada a um desempenho escolar inferior em algumas disciplinas, mas isso não implica que persistirá indefinidamente. Ao contrário dos transtornos de aprendizagem, em muitos casos, as dificuldades de aprendizagem são transitórias e podem ser superadas com intervenções adequadas. O baixo desempenho momentâneo não deve ser encarado como uma sentença permanente, mas sim como um desafio que, com apoio e estratégias apropriadas, pode ser superado ao longo do tempo.

A jornada da aprendizagem, embora essencial para o desenvolvimento humano, nem sempre é tranquila. Diversos fatores externos podem se entrelaçar como teias, criando obstáculos para o aprendizado. Abaixo segue alguns fatores que podem influenciar na dificuldade de aprendizagem:

1. Fatores Psicossociais:

  • Falta de apoio familiar: Pais ou responsáveis desinteressados ou ausentes na vida escolar da criança podem prejudicar seu desenvolvimento e motivação;
  • Baixo nível educacional: Dificuldade em auxiliar os filhos nas tarefas escolares e em estimular o gosto pela leitura;
  • Estrutura familiar/Famílias monoparentais: Sobrecarga de trabalho para o responsável, limitando o tempo dedicado aos filhos. Como exemplos, podemos citar as Mães solo que trabalham fora de casa para sustentar a família;
  • Violência doméstica: Ambiente familiar instável e inseguro, marcados por conflitos e com exposição à violência física ou psicológica, podem gerar traumas e estresse, impactando negativamente o desenvolvimento emocional e a capacidade de aprendizado.
  • Habitação: Condições precárias de moradia com falta de espaço adequado para estudo e exposição a ruídos e outros fatores que interferem na concentração. Podemos exemplificaras famílias que vivem em estado de pobreza em favelas ou cortiços.

É reconhecida a relevância do papel desempenhado pela família na formação de um adulto responsável. No entanto, embora a dinâmica familiar seja um elemento que contribui para a análise e compreensão das dificuldades de aprendizagem, é crucial enfatizar que esses aspectos isolados não podem ser utilizados como critério exclusivo para o diagnóstico das dificuldades. Isso se deve ao fato de que problemas familiares podem estar presentes mesmo em crianças que não enfrentam dificuldades de aprendizagem.

2. Nível Socioeconômico (NSE):

  • Dificuldades socioeconômicas: Carência de recursos básicos como alimentação adequada, material escolar, falta de acesso à internet e outros recursos tecnológicos, podem limitar o aprendizado.
  • Renda familiar/Baixa renda: Famílias com renda per capita inferior a meio salário mínimo.

3. Fatores Físicos /Nutrição:

  • Desnutrição ou alimentação inadequada;
  • Deficiência de nutrientes essenciais para o desenvolvimento cerebral;
  • Problemas de atenção, memória e aprendizagem. Como exemplo podemos citar crianças que não têm acesso a uma alimentação rica em nutrientes;
  • Desnutrição infantil.

Estudos evidenciam que o nível socioeconômico (NSE) está correlacionado ao desenvolvimento neural e exerce impacto sobre o desempenho neuropsicológico. Além disso, o NSE, que engloba indicadores como educação, ocupação dos pais, renda familiar, saúde física e mental da família (Adler & Rehkopf, 2008) e aspectos físicos e psicossociais do ambiente (Evans, 2004), vai além de meros dados econômicos. Para alguns estudiosos (Braveman et al., 2005; Farah et al., 2006), o NSE reflete não apenas a posição na sociedade, mas também as disparidades relacionadas à saúde e aos ambientes físicos e psicossociais. Fatores psicossociais, como a estrutura familiar, incluindo a presença dos pais e o estado de saúde mental, assim como fatores físicos, como nutrição e exposição a poluentes, são elementos que podem influenciar o desenvolvimento do cérebro e das funções neurocognitivas (Farah et al., 2006).

4. Sinais de Dificuldades de Aprendizagem

Identificar os sinais de dificuldades de aprendizagem é fundamental para intervir e oferecer um suporte adequado. Alguns sinais comuns incluem dificuldades na leitura, na escrita, na compreensão de conceitos matemáticos e na concentração. É importante estar atento a esses sinais, pois quanto mais cedo as dificuldades forem identificadas, mais eficiente pode ser a intervenção.

Os sinais de Dificuldades de Aprendizagem podem variar dependendo da idade e do tipo de dificuldade que o indivíduo apresenta. Em crianças, os sinais podem incluir dificuldades na leitura, na escrita, na matemática e na concentração. Já em adultos, os sintomas podem envolver dificuldades em acompanhar tarefas, compreender instruções e organizar informações.

É importante ficar atento a esses indicadores para identificar precocemente as dificuldades de aprendizagem e buscar intervenções adequadas. Reconhecer os sinais é o primeiro passo para auxiliar no desenvolvimento acadêmico e emocional do indivíduo.

Alguns sinais específicos de Dificuldades de Aprendizagem em crianças podem incluir:

  • Dificuldades na leitura, como trocar letras ou palavras, e dificuldade em compreender o significado do texto;
  • Dificuldades na escrita, como problemas de ortografia, organização das ideias e estruturação correta das frases;
  • Dificuldades na matemática, como dificuldade em compreender conceitos numéricos, problemas e cálculos;
  • Dificuldades de concentração, como dificuldade em manter a atenção durante atividades escolares ou em seguir instruções;
  • Dificuldades na atenção, como ter dificuldade em se concentrar em tarefas por períodos prolongados, facilmente distrair-se com estímulos externos ou ter dificuldade em seguir instruções;
  • Dificuldades na memória, como ter dificuldade em lembrar informações recentes, esquecer tarefas ou compromissos importantes ou ter dificuldade em recordar informações aprendidas anteriormente.

Já em adultos, os sinais de Dificuldades de Aprendizagem podem envolver:

  • Dificuldades em acompanhar tarefas e prazos, como ter dificuldade em se organizar e administrar o tempo.
  • Dificuldades em compreender instruções, sejam elas escritas ou verbais.
  • Dificuldades em organizar informações, como ter dificuldade em estruturar pensamentos e expressar ideias de forma clara.

É importante lembrar que cada indivíduo pode apresentar sinais diferentes, e que esses sinais podem se manifestar de maneira única em cada caso. Portanto, é fundamental estar atento aos sintomas e buscar avaliação e apoio especializados para uma intervenção adequada.

Caso você observe a presença desses sinais em algum indivíduo, é importante procurar um profissional especializado, como um psicólogo ou um neurologista, para realizar uma avaliação adequada e obter um diagnóstico preciso. Quanto mais cedo o problema for identificado e o tratamento for iniciado, maiores serão as chances de superar as dificuldades de aprendizagem e alcançar um desenvolvimento pleno.

É fundamental estar atento aos sinais de problemas de aprendizagem e buscar ajuda adequada para garantir que todos os indivíduos tenham a oportunidade de se desenvolver acadêmica e socialmente de forma plena.

Sinais de Dificuldades de Aprendizagem

Imagem ilustrativa relacionada aos sinais de Dificuldades de Aprendizagem.

5. Transtornos Específicos de Aprendizagem

O transtorno específico da aprendizagem é um termo abrangente que inclui diversas condições relacionadas à dificuldade de aprendizado. Os déficits nesse contexto podem se manifestar nas habilidades de leitura, escrita e matemática. De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o DSM-V, esses déficits são classificados como transtornos do neurodesenvolvimento. Essas condições impactam o funcionamento do cérebro, interferindo especialmente na capacidade de receber e processar informações.

Quando as dificuldades para aprender são persistentes e apresentam limitações e/ou impedimentos para a aprendizagem dos alunos, podemos estar nos deparando com os chamados “transtornos e/ou dificuldades de aprendizagem”. O transtorno específico da aprendizagem pode resultar em prejuízos duradouros que afetam o processo de aprendizagem de forma persistente em atividades que envolvem as habilidades de leitura, escrita e cálculo, afetando significativamente o desempenho acadêmico e profissional. Esses transtornos requerem um diagnóstico preciso e intervenções especializadas para auxiliar no desenvolvimento das habilidades acadêmicas do indivíduo.

A descrição dos transtornos de aprendizagem pode ser encontrada em manuais internacionais de diagnóstico de doenças, como o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) e a Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Eles apresentam basicamente três tipos de transtornos específicos: o transtorno da leitura, transtorno da expressão escrita e o transtorno da matemática. A caracterização geral desses transtornos não difere muito entre os dois manuais.

O DSM-5, Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, define o transtorno de aprendizagem como “dificuldades na aprendizagem e no uso de habilidades acadêmicas, que persistem por pelo menos 6 meses, mesmo após a implementação de intervenções específicas direcionadas a essas dificuldades”.

Os transtornos específicos da aprendizagem, são distúrbios específicos que afetam o processo de aprendizagem de habilidades acadêmicas básicas (leitura, escrita e matemática). São deficiências intrínsecas e persistentes no funcionamento do cérebro, que afetam a aquisição, armazenamento e recuperação de informações.

6. Desvendando os Transtornos de Aprendizagem: Dislexia, Disortografia e Discalculia

A leitura, representa a porta de entrada para o conhecimento, e ela pode se tornar um desafio para alguns indivíduos. A dislexia, uma condição caracterizada por dificuldades no reconhecimento de palavras, sílabas e letras, pode tornar a leitura penosa, lenta e, em alguns casos, aparentemente impossível. Essa condição impacta diretamente a compreensão de textos, tanto simples quanto complexos, exercendo influência negativa sobre o desempenho acadêmico e a vida pessoal do indivíduo.

1. Dislexia: Um Mergulho Detalhado

De acordo com International Dyslexia Association a definição de dislexia é a seguinte:

“A dislexia é uma dificuldade específica de aprendizagem de origem neurobiológica. É caracterizada por dificuldades com o reconhecimento preciso e/ou fluente de palavras e por más habilidades de ortografia e decodificação. Estas dificuldades resultam tipicamente de um défice na componente fonológica da linguagem que é muitas vezes inesperado em relação a outras capacidades cognitivas e à prestação de um ensino eficaz na sala de aula. As consequências secundárias podem incluir problemas na compreensão da leitura e redução da experiência de leitura que podem impedir o crescimento do vocabulário e do conhecimento prévio.”

A dislexia (CID-11 6A03.1) é distúrbio de aprendizagem do desenvolvimento com deficiência na expressão escrita. Ela é causada por uma alteração no processamento cerebral das informações visuais e auditivas que afetam a maneira como o cérebro reconhece e compreende as palavras. A dislexia se caracteriza por uma dificuldade específica na leitura, afetando a decodificação de palavras e a fluência leitora. Apesar de não ser um problema de inteligência, a dislexia pode gerar frustração e desmotivação na criança, impactando seu desempenho escolar.

Causas:

As causas da dislexia ainda de acordo com os estudos estão relacionadas a fatores neurobiológicos, com forte influência genética, sendo a hereditariedade a causa mais comum. Além disso, também pode ser desencadeada por problemas estruturais cerebrais e comprometimentos do sistema nervoso central durante a formação fetal. Em virtude de alterações no sistema neurológico, a criança pode apresentar atrasos na aprendizagem, variando em intensidade. É crucial ressaltar que esse distúrbio não implica em falta de inteligência ou de vontade de aprender.

Sintomas:

Os sintomas da dislexia podem variar em intensidade e se manifestar de diferentes maneiras, como:

  • Dificuldade em aprender o alfabeto e associar letras a sons;
  • Leitura lenta e silabada;
  • Troca de letras e palavras ao ler;
  • Dificuldade em compreender o que lê;
  • Falta de fluência e entonação na leitura;
  • Confusão entre letras com formas semelhantes (ex: b/d, p/q);
  • E, outros.

Impacto na Vida Escolar e Social:

A dislexia pode ter um impacto significativo na vida escolar e social da criança, gerando:

  • Frustração e desmotivação em relação à leitura;
  • Dificuldades no aprendizado de outras áreas do conhecimento;
  • Baixa autoestima e dificuldades de relacionamento social.

Diagnóstico:

O diagnóstico da dislexia é realizado por uma equipe multidisciplinar, geralmente composta por um psicopedagogo/ neuropsicopedagogo, fonoaudiólogo, psicólogo, neuropediatra, psiquiatra infanto juvenil e outros. O processo de diagnóstico envolve a avaliação de diversos aspectos, como a leitura, a escrita, a memória, a atenção e a linguagem.

Intervenções:

Não existe cura para a dislexia, mas existem diversas estratégias que podem auxiliar na superação das dificuldades e no desenvolvimento das habilidades de leitura. As intervenções podem incluir:

  • Avaliação e intervenção psicopedagógica;
  • Aulas de reforço escolar com foco na leitura;
  • Utilização de ferramentas de apoio, como softwares de leitura em voz alta e dicionários;
  • Desenvolvimento de estratégias de leitura e compreensão textual;
  • Adaptação de materiais didáticos e provas escolares;
  • Orientação aos pais e professores sobre como auxiliar a criança com dislexia.
2. Disortografia: Uma Dificuldade Específica na Escrita

A disortografia é um transtorno de aprendizagem caracterizado por uma dificuldade específica na escrita, principalmente na ortografia das palavras. Apesar de dominar a gramática e a estrutura da língua, a pessoa com disortografia apresenta erros frequentes na grafia das palavras.

Causas:

As causas da disortografia ainda não são totalmente compreendidas, mas acredita-se que estejam relacionadas a fatores neurobiológicos, como alterações no processamento fonológico e visuoespacial da linguagem. A disortografia não tem relação com a inteligência ou o nível de escolaridade da pessoa.

Sintomas:

Os sintomas da disortografia podem variar em intensidade e se manifestar de diferentes maneiras, como:

  • Erros ortográficos frequentes, mesmo após a aprendizagem das regras gramaticais;
  • Dificuldade em memorizar a grafia das palavras;
  • Troca de letras com sons semelhantes (ex: /b/ por /d/, /p/ por /q/);
  • Omissão de letras ou sílabas;
  • Adição de letras ou sílabas desnecessárias;
  • Escrita ilegível ou desorganizada.

Impacto na Vida Escolar e Social:

A disortografia pode ter um impacto significativo na vida escolar e social da pessoa, gerando:

  • Frustração e desmotivação em relação à escrita;
  • Dificuldades no aprendizado de outras áreas do conhecimento;
  • Baixa autoestima e dificuldades de relacionamento social.

Diagnóstico:

O diagnóstico da disortografia é realizado por uma equipe multidisciplinar, geralmente composta pelos mesmos profissionais citados para o diagnóstico da dislexia. O processo de diagnóstico envolve a avaliação de diversos aspectos, como a leitura, a escrita, a memória, a atenção e a linguagem.

Intervenção e Estratégias de Superação:

Não existe cura para a disortografia, mas existem diversas estratégias que podem auxiliar na superação das dificuldades e no desenvolvimento das habilidades de escrita. As intervenções podem incluir:

  • Acompanhamento psicopedagógico;
  • Aulas de reforço escolar com foco na ortografia;
  • Utilização de ferramentas de apoio, como dicionários e softwares de revisão ortográfica;
  • Desenvolvimento de estratégias de memorização para a grafia das palavras;
  • Adaptação de materiais didáticos e provas escolares;
  • Orientação aos pais e professores sobre como auxiliar a pessoa com disortografia.
3. Desvendando o Impacto da Discalculia:

A discalculia é um transtorno de aprendizagem caracterizado por uma dificuldade específica com matemática, afetando a compreensão de conceitos numéricos, o cálculo e a resolução de problemas.

Causas:

As causas da discalculia ainda não são totalmente compreendidas, mas estudos sugerem uma combinação de fatores que podem influenciar seu desenvolvimento como os Neurobiológicos com alterações no funcionamento cerebral nas áreas parietais e frontais relacionadas ao processamento numérico e espacial, conectividade neuronal específica e também fatores genéticos voltados para maior probabilidade em familiares com discalculia.

Sintomas da Discalculia:

  • Dificuldade em compreender conceitos matemáticos básicos;
  • Dificuldade em realizar cálculos simples;
  • Confusão entre símbolos matemáticos;
  • Dificuldade em ler e escrever números;
  • Dificuldade em estimar quantidades;
  • Falta de noção de tempo e espaço.

Impacto na Vida Escolar e Social:

A discalculia pode ter um impacto significativo na vida escolar e social da pessoa, gerando:

Vida Escolar:

  • Dificuldades em aprender conceitos matemáticos básicos;
  • Atrasos no aprendizado em outras áreas do conhecimento;
  • Frustração e desmotivação em relação à matemática;
  • Baixa autoestima e autoconfiança;
  • Dificuldades em realizar tarefas cotidianas que envolvem matemática, como calcular troco ou fazer compras;
  • Aversão à matemática e bloqueio emocional em relação à disciplina.

Vida Social:

  • Dificuldades em participar de atividades sociais que envolvem matemática, como jogos e brincadeiras;
  • Isolamento social e exclusão de atividades em grupo;
  • Dificuldades em se relacionar com pessoas que gostam de matemática;
  • Sentimento de inferioridade e inadequação.

Diagnóstico:

O diagnóstico da discalculia é realizado por uma equipe multidisciplinar. O processo de diagnóstico envolve a avaliação de diversos aspectos, como:

  • Habilidades matemáticas;
  • Raciocínio lógico;
  • Memória de trabalho;
  • Atenção;
  • Linguagem.

Dicas para Auxiliar na Matemática:

  • Utilize materiais manipuláveis para facilitar a compreensão de conceitos matemáticos;
  • Divida tarefas complexas em etapas menores;
  • Utilize jogos e atividades lúdicas para estimular o aprendizado da matemática;
  • Seja paciente e ofereça apoio constante.

7. Estratégias para Superar Dificuldades de Aprendizagem

Transtornos de Aprendizagem

Ao lidar com as Dificuldades de Aprendizagem, é importante adotar estratégias eficientes para auxiliar no processo de superação. Abaixo, apresentamos algumas técnicas que podem ser úteis:

1. Trabalho colaborativo

O trabalho conjunto entre educadores, profissionais de saúde e familiares é essencial para criar um ambiente propício ao desenvolvimento das habilidades acadêmicas. A troca de informações e o compartilhamento de experiências podem fornecer insights valiosos e contribuir para encontrar soluções personalizadas.

2. Ensino diferenciado

Utilizar métodos de ensino diferenciados, adaptados às necessidades individuais, é fundamental para superar as Dificuldades de Aprendizagem. Isso envolve identificar quais são as dificuldades específicas e utilizar abordagens pedagógicas que sejam mais eficazes para cada caso, como o uso de recursos multissensoriais, atividades lúdicas e adaptação de materiais didáticos.

3. Suporte emocional e motivacional 

Apoiar emocionalmente e motivar o estudante que enfrenta dificuldades de aprendizagem é crucial para o processo de superação. A compreensão, o encorajamento e o reconhecimento dos esforços podem contribuir para manter o interesse e a autoconfiança, aumentando as chances de sucesso.

4. Intervenções especializadas

Buscar intervenções especializadas, como terapias ocupacionais, fonoaudiologia ou acompanhamento psicopedagógico, pode ser uma estratégia eficaz para superar as Dificuldades de Aprendizagem. Esses profissionais podem oferecer suporte específico e desenvolver programas personalizados de intervenção, fazendo uso de tecnologias assistivas, através de ferramentas tecnológicas para auxiliar na leitura, escrita e matemática, como softwares de leitura em voz alta, dicionários eletrônicos e calculadoras.

Conclusão:

Ao compreender os transtornos de aprendizagem e as estratégias de superação, podemos garantir que todos os alunos tenham acesso a uma educação de qualidade, promovendo a inclusão e o desenvolvimento de todo o seu potencial. É importante destacar que cada pessoa é única e as estratégias de superação devem ser personalizadas de acordo com suas necessidades individuais. O acompanhamento contínuo e a busca por suporte adequado são fundamentais para promover um ambiente de aprendizagem inclusivo e auxiliar no desenvolvimento pleno das habilidades acadêmicas.

8. Intervenção nas Dificuldades de Aprendizagem

A intervenção nas Dificuldades de Aprendizagem é um processo complexo e abrangente que envolve diferentes profissionais e estratégias. O objetivo principal é proporcionar o suporte necessário para que os indivíduos com dificuldades de aprendizagem possam alcançar seu potencial máximo.

Para iniciar o processo de intervenção, é fundamental realizar uma avaliação diagnóstica completa. Essa avaliação ajudará a identificar as dificuldades específicas enfrentadas pelo indivíduo, bem como seu perfil de habilidades e necessidades. Com base nesses dados, é possível planejar intervenções psicopedagógicas personalizadas e eficazes.

O apoio psicopedagógico individualizado desempenha um papel central na intervenção nas Dificuldades de Aprendizagem. Isso inclui o uso de técnicas psicopedagógicas diferenciadas, sugestões de adaptações curriculares para a escola e estratégias de acompanhamento mais intensivo. Os profissionais envolvidos na intervenção devem estar preparados para oferecer um ambiente de aprendizagem inclusivo e acolhedor, que atenda às necessidades individuais de cada aprendiz.

Além das intervenções psicopedagógicas, o suporte emocional também é essencial. Muitas vezes, os indivíduos com dificuldades de aprendizagem podem enfrentar desafios emocionais, como baixa autoestima e frustração. Nesse sentido, os profissionais envolvidos devem estar preparados para oferecer apoio psicológico, motivacional e encorajador.

A intervenção nas Dificuldades de Aprendizagem é um processo contínuo, que requer avaliações periódicas para acompanhar o progresso do indivíduo e ajustar as estratégias utilizadas, quando necessário.

Através de uma intervenção adequada e eficaz, é possível superar as dificuldades de aprendizagem e proporcionar aos indivíduos a oportunidade de desenvolver suas habilidades acadêmicas e atingir seu pleno potencial.

Conclusão

Concluir que a compreensão das dificuldades de aprendizagem, suas causas e sinais é fundamental para promover uma educação inclusiva e de qualidade. Identificar e intervir precocemente nas dificuldades de aprendizagem é essencial para garantir que todos os alunos tenham a oportunidade de se desenvolver plenamente e alcançar seu potencial máximo.

Além disso, é importante promover uma mudança de paradigma na forma como a sociedade encara as dificuldades de aprendizagem, promovendo a inclusão e o respeito às diferenças. A compreensão desses obstáculos vai além da simples definição das dificuldades de aprendizagem, é necessário buscar soluções efetivas e estratégias que possam auxiliar os alunos a superarem essas dificuldades.

É fundamental que educadores, profissionais de saúde, familiares e toda a sociedade se unam para criar um ambiente propício ao desenvolvimento das habilidades acadêmicas, oferecendo métodos de ensino diferenciados e suporte emocional e motivacional. Somente dessa forma poderemos garantir uma educação inclusiva e de qualidade para todos os alunos, permitindo que cada um alcance seu máximo potencial e contribua de forma plena e igualitária para a sociedade.

FAQ

O que são as Dificuldades de Aprendizagem?

As Dificuldades de Aprendizagem são condições que afetam a capacidade do indivíduo de adquirir habilidades acadêmicas, como leitura, escrita, matemática e concentração. Essas dificuldades não estão relacionadas à inteligência do indivíduo, mas sim a dificuldades específicas no processo de aprendizagem.

Quais são as principais causas das Dificuldades de Aprendizagem?

As causas das Dificuldades de Aprendizagem são multifatoriais e podem variar de indivíduo para indivíduo. Fatores genéticos, neurológicos e ambientais podem influenciar no desenvolvimento dessas dificuldades. Além disso, problemas de saúde, como transtornos de aprendizagem ou deficiências sensoriais, também podem contribuir para o surgimento das dificuldades de aprendizagem.

Quais são os sinais de Dificuldades de Aprendizagem?

Os sinais de Dificuldades de Aprendizagem podem variar dependendo da idade e do tipo de dificuldade que o indivíduo apresenta. Em crianças, os sinais podem incluir dificuldades na leitura, na escrita, na matemática e na concentração. Já em adultos, os sinais podem envolver dificuldades em acompanhar tarefas, compreender instruções e organizar informações. É importante ficar atento a esses sinais para identificar precocemente as dificuldades de aprendizagem e buscar intervenções adequadas.

Quais estratégias podem ser úteis para superar as Dificuldades de Aprendizagem?

Existem diversas estratégias e técnicas que podem ser úteis para superar as Dificuldades de Aprendizagem. O trabalho conjunto entre educadores, profissionais de saúde e familiares é essencial para criar um ambiente propício ao desenvolvimento das habilidades acadêmicas. Além disso, é importante utilizar métodos de ensino diferenciados, adaptados às necessidades do indivíduo, e fornecer suporte emocional e motivacional para ajudar na superação das dificuldades.

Como funciona a intervenção nas Dificuldades de Aprendizagem?

A intervenção nas Dificuldades de Aprendizagem deve ser multifacetada e envolver diferentes profissionais e estratégias. A avaliação diagnóstica é o primeiro passo para identificar as dificuldades específicas do indivíduo e planejar as intervenções adequadas. Além disso, é importante oferecer apoio educacional individualizado, como o uso de técnicas de ensino diferenciadas e adaptações curriculares. O suporte emocional também desempenha um papel fundamental no processo de intervenção.

O que são os transtornos de aprendizagem?

Os transtornos de aprendizagem são condições específicas que afetam o processo de aprendizagem de forma persistente. Alguns exemplos comuns incluem a dislexia, discalculia e disgrafia. Esses transtornos requerem um diagnóstico preciso e intervenções especializadas para auxiliar no desenvolvimento das habilidades acadêmicas do indivíduo.

Quais são os sinais de problemas de aprendizagem?

Os sinais de problemas de aprendizagem podem variar dependendo do tipo e da gravidade do problema. Alguns sinais comuns incluem dificuldades na leitura, na escrita, na matemática, na atenção e na memória. É importante estar atento a esses sinais e buscar ajuda especializada caso seja identificado um problema de aprendizagem.

Links de Fontes

Auxiliadora Lemos
Auxiliadora Lemos

Sou Auxiliadora Lemos. Professora e Psicopedagoga Clínica com mais de 18 anos de experiência na área. Esse espaço é dedicado a assuntos da Psicopedagogia, para guiar estudantes, recém-formados e profissionais que estão começando na área. Meu objetivo é oferecer suporte, compartilhar conhecimentos, dar dicas de recursos e facilitar a transição acadêmica à prática psicopedagógica. Vamos explorar juntos o fascinante universo do desenvolvimento humano e da aprendizagem!

Artigos: 27

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