AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA: QUANDO PROCURAR E OS BENEFÍCIOS

Avaliação Psicopedagógica: Quando Procurar e os Benefícios é o tema desse novo artigo. A Avaliação Psicopedagógica é um recurso fundamental para compreender como o sujeito aprende e identificar as possíveis causas das dificuldades no processo de ensino e aprendizagem.

Saber quando procurar esse tipo de avaliação e reconhecer seus benefícios possibilita intervenções mais precoces, eficazes e direcionadas, favorecendo o desenvolvimento cognitivo, emocional e escolar do aprendiz, além de orientar a família e a escola na construção de estratégias adequadas de apoio. Esse trabalho, feito por especialistas, torna a educação mais eficiente.

A educação é chave no crescimento das sociedades. Ela dá conhecimento e habilidades valiosas à geração atual e futura. Mas sabemos que nem sempre é fácil. Muitos alunos enfrentam barreiras que prejudicam seu aprendizado, assim a avaliação psicopedagógica se destaca, ajudando a superar esses obstáculos.1

Esse processo é realizado com cuidado por psicopedagogos. Eles investigam como o aluno aprende e o que influencia esse processo. O objetivo é achar e superar dificuldades de aprendizado, problemas emocionais, ou qualquer coisa que atrapalhe o sucesso na escola.1

Está se perguntando quando buscar essa avaliação e o que ela pode trazer de bom? Leia esse artigo.

O Que é uma Avaliação Psicopedagógica?

A avaliação psicopedagógica é uma ferramenta para tomar decisões que melhorem a resposta educacional do sujeito, como também promover mudanças no contexto escolar e familiar (SÁNCHEZ-CANO e BONALS, 2008).2

Weiss (1997), diz que “Todo diagnóstico psicopedagógico é, em si, uma investigação, é uma pesquisa do que não vai bem com o sujeito em relação a uma conduta esperada.

Segundo Weiss (1997), o diagnóstico psicopedagógico deve ser compreendido como um processo investigativo, e não como um procedimento pontual ou meramente classificatório. Ao afirmar que todo diagnóstico é uma investigação, a autora destaca que o foco do trabalho psicopedagógico está em pesquisar, de forma cuidadosa e sistemática, aquilo que não está ocorrendo conforme o esperado no processo de aprendizagem do sujeito.

ademais, essa investigação busca compreender as razões pelas quais o aprendiz não consegue responder às demandas escolares esperadas para sua faixa etária e contexto. Assim, o diagnóstico psicopedagógico não se limita a identificar dificuldades, mas procura entender o sentido do não aprender, permitindo que a intervenção seja mais adequada, ética e significativa.

Segundo a definição de Colomer, Masot, Navarro (2001), a avaliação psicopedagógica é um processo compartilhado de coleta e análise de informações relevantes da situação de ensino-aprendizagem, considerando-se as características próprias do contexto escolar e familiar, a fim de tomar decisões que visam promover mudanças que tornem possível melhorar a situação colocada.

Sob o ponto de vista de Colomer, Masot, Navarro (2001), a avaliação psicopedagógica deve nos permitir dispor de informações relevantes não apenas em relação às dificuldades apresentadas por um determinado aluno ou grupo de alunos, por um professor ou alguns pais, mas também às suas capacidades e potencialidades. Desse modo, não falamos de deficiências nem de dificuldades, mas sim de necessidades educativas dos alunos, que necessariamente, devem ser traduzidas em situações passíveis de melhora e na concretização de auxílio e suporte.

A avaliação psicopedagógica desenvolve-se em colaboração com o conjunto de participantes no processo: o aluno, a família, a escola, o psicopedagogo e outros profissionais, etc. Nesse ponto de vista, tem um caráter interdisciplinar, com contribuições próprias da competência de cada um.

Sujeitos e Contextos no Processo de Avaliação Psicopedagógica

Nesse item, iremos falar sobre sujeitos e contextos no processo avaliativo psicopedagógico. A avaliação psicopedagógica leva em consideração o contexto social, escolar, sala de aula (professores e conteúdo), e o contexto familiar dos alunos.

Imagem da web

A avaliação psicopedagógica se caracteriza, portanto como um processo dinâmico e colaborativo, que envolve a participação ativa de todos os sujeitos implicados no processo de aprendizagem.

– O aluno ocupa um lugar central, pois é a partir de sua história, de suas vivências, potencialidades e dificuldades que a investigação se constrói.

– A família contribui oferecendo informações relevantes sobre o desenvolvimento, a rotina, o contexto emocional e social do aprendiz, aspectos que influenciam diretamente a forma como ele aprende.

– A escola, por sua vez, desempenha papel fundamental ao fornecer dados sobre o desempenho acadêmico, as estratégias pedagógicas utilizadas, as demandas curriculares e a relação do aluno com o ambiente escolar.

– Já o psicopedagogo atua como mediador e articulador desse processo, integrando as informações coletadas, selecionando instrumentos adequados e analisando os dados de forma crítica e contextualizada.

Além disso, quando necessário, outros profissionais — como psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, neurologistas ou professores especializados — podem contribuir com seus conhecimentos específicos, ampliando a compreensão das dificuldades e potencialidades do aprendiz.

Dessa forma, a avaliação psicopedagógica assume um caráter interdisciplinar, no qual cada área oferece aportes próprios e complementares, possibilitando uma visão global do processo de aprendizagem e subsidiando intervenções mais eficazes, coerentes e individualizadas.

Os autores Colomer, Masot, Navarro (2001), pontua que trata-se de um processo porque não se reduz a uma atuação pontual ou a algumas atuações isoladas, mas tem um início e uma continuidade de atuações inter-relacionadas , destinadas a pesquisar e a compreender melhor o fato de ensinar e aprender.

A citação de Colomer, Masot e Navarro (2001) destaca que a avaliação — e, de modo mais amplo, o processo educativo — não deve ser compreendida como uma ação pontual, isolada ou restrita a momentos específicos, como testes ou observações únicas. Ao afirmarem que se trata de um processo, os autores enfatizam seu caráter contínuo, sistemático e articulado, que se desenvolve ao longo do tempo.

Barbosa (2001), refere-se que o aprender na escola supõe um movimento constante entre alunos, professores, e técnicos; alunos e conteúdos; alunos e alunos; alunos e administração. Este movimento implica em troca, descoberta, construção e reconstrução tanto do conhecimento, quanto das relações e ações.  Aprender, portanto, não se resume a aquisições feitas na idade escolar, mas se amplia a todas as aquisições que o homem realiza durante a vida, no âmbito familiar, social e institucional.

A citação de Barbosa (2001) dialoga diretamente com o tema sujeitos e contextos no processo de avaliação, ao evidenciar que a aprendizagem escolar ocorre a partir de uma rede de relações e interações contínuas. Nesse sentido, a avaliação psicopedagógica não pode centrar-se apenas no aluno de forma isolada, mas deve considerar os diferentes sujeitos envolvidos — professores, técnicos, colegas e a própria instituição — bem como os contextos nos quais essas interações acontecem.

O aprender é compreendido como um movimento dinâmico de trocas, descobertas e reconstruções, tanto do conhecimento quanto das relações, o que exige uma avaliação que contemple os aspectos pedagógicos, sociais, familiares e institucionais. Assim, avaliar implica compreender como esses contextos influenciam o processo de aprendizagem ao longo da vida, reconhecendo que as dificuldades ou potencialidades do sujeito são construídas nas relações que ele estabelece nos diversos espaços em que está inserido.

Nesse sentido, a avaliação envolve uma sequência de ações inter-relacionadas, que se iniciam com a investigação das condições de ensino e aprendizagem e se desdobram em análises, reflexões e tomadas de decisão. Cada etapa do processo se conecta à anterior, permitindo compreender de forma mais aprofundada como o aluno aprende, quais estratégias pedagógicas estão sendo utilizadas e quais fatores favorecem ou dificultam esse percurso.

Assim, o foco deixa de ser apenas o resultado final e passa a abranger o acompanhamento do percurso do aprendiz, considerando as interações, as metodologias, os contextos e as relações estabelecidas no ato de ensinar e aprender. Essa concepção reforça a ideia de que compreender as dificuldades e potencialidades do aluno exige tempo, continuidade e uma visão integrada do processo educativo, favorecendo intervenções mais conscientes e eficazes.

Objetivos da Avaliação Psicopedagógica

Seu objetivo é coletar e analisar dados pertinentes ao ensino-aprendizagem, levando em consideração características de todo o contexto em que o paciente está inserido. É desenvolvida em parceria com a escola, familiares e com outros profissionais, assumindo um caráter interdisciplinar. Geralmente a avaliação surge a partir de uma demanda, que será investigada para que se formule uma hipótese diagnóstica, esse processo definirá a finalidade da atuação e os instrumentos que serão utilizados na intervenção proposta (BONALS,2008).

Barbosa (2001), coloca que a Psicopedagogia, fruto da interdisciplinaridade, desenvolveu seus estudos, no sentido de construir um olhar e uma escuta diferenciados, voltados para o processo de ensinar/aprender, que possibilitam o conhecimento de sintomas, a análise dos mesmos e a busca de soluções para os problemas estudados.

Por conseguinte, os objetivos da avaliação psicopedagógica são bem definidos e direcionados à compreensão global do processo de aprendizagem do aluno. Ela busca identificar as causas dos problemas de aprendizagem, considerando fatores cognitivos, emocionais, pedagógicos e contextuais, ao mesmo tempo em que possibilita a proposição de intervenções adequadas às necessidades identificadas. Além disso, a avaliação permite analisar as condições em que a aprendizagem dos conteúdos escolares ocorre, evidenciando tanto os obstáculos que dificultam esse processo quanto os elementos que o favorecem. Dessa forma, contribui para uma atuação mais assertiva, orientando práticas educativas e terapêuticas que promovam o desenvolvimento do aprendiz de maneira mais eficaz e significativa.

Em resumo, os objetivos são claros: Encontrar as causas de problemas de aprendizagem e sugerir uma intervenção adequada.2 Também ajudam a ver as condições de aprendizagem para o conteúdo escolar. Identificam obstáculos e facilitadores desse processo.

Veja o vídeo da NeuroSaber sobre: A Importância da Avaliação Psicopedagógica

https://www.youtube.com/watch?v=ODcnDpDwb9I

Quando Procurar por uma Avaliação Psicopedagógica

A avaliação psicopedagógica deve ser procurada sempre que houver sinais consistentes de dificuldades de aprendizagem que não se resolvem com métodos pedagógicos convencionais, quando há impacto emocional ou comportamental ligado à aprendizagem, ou quando é preciso compreender melhor o processo de como o aluno aprende para planejar intervenções mais eficazes.

Bossa (2000, p.12) destaca a figura do psicopedagogo dizendo que estes “são profissionais preparados para a prevenção, para o diagnóstico e o tratamento dos problemas de aprendizagem escolar”. Segundo a autora a psicopedagogia tem se dedicado a conhecer como ocorre o processo de aprendizagem, e os fatores que facilitam ou influenciam, com base em conhecimentos de outras áreas.

Segundo Barbosa (2007) apud Souza et al. (2015), todos os sintomas percebidos e registrados em uma queixa, a priori, originam-se das observações desencadeadas na própria instituição. A partir dessa afirmação, compreende-se que a queixa escolar não surge de forma neutra ou isolada, mas é construída no contexto das relações e expectativas institucionais.

Quando Barbosa (2007) destaca que os sintomas têm origem nas observações realizadas na própria instituição, ela chama atenção para o fato de que aquilo que é nomeado como “dificuldade” ou “problema” está atravessado por critérios pedagógicos, normas escolares, concepções de aprendizagem e olhares dos profissionais envolvidos.

Assim, a avaliação psicopedagógica precisa analisar criticamente como a escola percebe, registra e interpreta esses comportamentos ou desempenhos, investigando se o sintoma está relacionado apenas ao aluno ou se também reflete práticas pedagógicas, metodologias, exigências curriculares e dinâmicas institucionais. Dessa forma, amplia-se a compreensão da queixa, deslocando o foco exclusivo do sujeito para incluir o contexto em que ela foi produzida.

Weiss (1997) descreve que o diagnóstico psicopedagógico sempre é solicitado quando o sujeito dentro do contexto escolar apresenta uma aprendizagem não satisfatória, ou seja, dentro do processo de aprendizagem sempre tem baixo desempenho escolar. Sua solicitação sempre advém a partir de uma queixa de dificuldade de aprendizagem que em sua grande maioria se estende por anos.

Principais Situações de Quando Procurar por uma Avaliação Psicopedagógica:

📌 1. Dificuldades persistentes no aprendizado escolar
Quando a criança ou adolescente apresenta dificuldades constantes em áreas como leitura, escrita ou matemática que não melhoram com o reforço escolar regular, isso já pode indicar a necessidade de uma avaliação mais aprofundada. O objetivo é descobrir se a causa está relacionada à forma como o aluno aprende e não apenas ao conteúdo tratado.

📌 2. Sinais de fracasso ou baixo rendimento
Quedas contínuas no desempenho escolar, que não se explicam apenas pelo estudo ou dedicação, podem sinalizar problemas de aprendizagem que merecem investigação psicopedagógica. Essa avaliação ajuda a identificar os fatores que influenciam esse insucesso escolar.

📌 3. Dificuldade de concentração, memória ou atenção
Se a criança demonstra dificuldade em manter a atenção, problemas de concentração, esquecimento frequente ou dificuldade de seguir instruções — mesmo depois de apoio pedagógico — é recomendável solicitar a avaliação, pois esses sinais podem estar ligados à forma como aprende.

📌 4. Ansiedade, desmotivação ou resistência à aprendizagem
Sentimentos de ansiedade em relação à escola, desinteresse prolongado por atividades de estudo, frustração ou resistência ao aprendizado podem refletir dificuldades subjacentes que um diagnóstico psicopedagógico pode identificar e ajudar a tratar.

📌 5. Colaboração entre família, escola e profissionais
Uma avaliação psicopedagógica é indicada quando os pais e professores percebem dificuldades que se mantêm apesar de intervenções pedagógicas, e se torna necessário um olhar mais especializado para compreender causas e planejar estratégias eficazes de intervenção.

📌 6. Sintomas que interferem no desenvolvimento acadêmico e social
Problemas que ultrapassam a simples dificuldade com conteúdo — como efeitos socioemocionais, baixa autoestima ou bloqueios diante do processo de aprendizagem — também justificam a procura por avaliação psicopedagógica.

Benefícios da Avaliação Psicopedagógica

A avaliação psicopedagógica desempenha um papel fundamental na compreensão das dificuldades de aprendizagem, pois vai além da simples observação do desempenho escolar. Seu principal benefício está na identificação das causas reais que interferem no processo de aprender, considerando aspectos cognitivos, emocionais, pedagógicos, familiares e escolares.

Um dos principais benefícios da avaliação psicopedagógica é a identificação precisa das causas das dificuldades escolares, permitindo diferenciar atrasos pedagógicos, dificuldades específicas ou possíveis transtornos de aprendizagem. A partir desse diagnóstico, torna-se possível planejar uma intervenção psicopedagógica direcionada, respeitando o ritmo, as potencialidades e as necessidades do aluno.

Além disso, a avaliação psicopedagógica fornece subsídios importantes para a orientação da família e da escola, promovendo ações adequadas ao perfil do aprendiz, de forma mais coerente e articulada entre os diferentes contextos de aprendizagem. Esse trabalho contribui para que o aluno sinta-se mais seguro, confiante e motivado, favorecendo a redução da ansiedade, da frustração e do desinteresse escolar, como também o fortalecimento da autoestima e do prazer em aprender.

Quando realizada de forma precoce, a avaliação psicopedagógica também atua de maneira preventiva, evitando o agravamento das dificuldades e promovendo um desenvolvimento escolar mais saudável e eficaz. Veja abaixo alguns dos benefício da avaliação psicopedagógica:

📌1. Diagnóstico preciso das dificuldades de aprendizagem

Por meio de instrumentos específicos e da análise do histórico do aluno, a avaliação permite diferenciar dificuldades pontuais de possíveis transtornos de aprendizagem, evitando rótulos inadequados e interpretações equivocadas. Esse diagnóstico cuidadoso é essencial para orientar decisões pedagógicas e terapêuticas mais assertivas.

📌2. Planejamento de intervenções individualizadas

Outro benefício relevante é a possibilidade de elaborar um plano de intervenção psicopedagógica personalizado, respeitando as necessidades, potencialidades e o ritmo de aprendizagem do aluno. As estratégias propostas tornam-se mais eficazes quando baseadas em dados concretos obtidos durante o processo avaliativo.

📌3. Orientação à família e à escola

A avaliação psicopedagógica também contribui para alinhar as ações entre família, escola e profissionais envolvidos. As orientações fornecidas auxiliam na adequação das práticas pedagógicas e das rotinas familiares, criando um ambiente mais favorável ao desenvolvimento da aprendizagem.

📌4. Fortalecimento emocional e autoestima do aprendiz

Ao compreender suas dificuldades e perceber que elas podem ser trabalhadas, o aluno tende a reduzir sentimentos de frustração, insegurança e desmotivação. Dessa forma, a avaliação psicopedagógica favorece o resgate da autoestima, da autoconfiança e do prazer em aprender.

📌5. Prevenção de dificuldades futuras

Quando realizada de forma precoce, a avaliação psicopedagógica atua também de maneira preventiva, evitando o agravamento das dificuldades e promovendo um desenvolvimento escolar mais saudável e equilibrado.

📌6. Melhor Compreensão das Dificuldades

Avaliando, entendemos melhor as dificuldades do aluno. Isso permite um suporte mais preciso de pais e escola.1 Juntos, eles conseguem ajudar o estudante a superar os desafios e crescer plenamente.

📌7. Estratégias Personalizadas de Ensino

Os profissionais criam planos feitos sob medida para cada um com base na avaliação. Organiza a rotina escolar do paciente e faz um plano de estudo.1 Esta atenção especial é a chave para o desempenho na escola e a confiança do estudante. Além disso, ele ensina formas de melhorar em matérias em que o aluno acha difícil desenvolvendo atividades de raciocínio lógico com atividades divertidas. 

📌8. Desenvolvimento de Habilidades

8 Psicopedagogos ajudam a desenvolver várias habilidades, como memória, atenção, e prazer em aprender.8 Este acompanhamento orienta as crianças a resolver problemas sozinhas. Isso as prepara melhor para um futuro bem-sucedido.

envolvimento dos pais e educadores

Dificuldades de Aprendizagem

De acordo com Rogers (1988), as dificuldades de aprendizagem, podem ser entendidas como uma alteração no aprendizado específico da leitura e escrita, ou alterações genéricas do processo de aprendizagem, onde outros aspectos (orgânico, motor, intelectual, social e emocional) podem estar comprometidos.

Segundo Polity (1998), o termo Dificuldade de Aprendizagem é assim definido pelo Instituto Nacional de Saúde Mental (EUA) da seguinte forma:

Dificuldade de Aprendizagem é uma desordem que afeta as habilidades pessoais do sujeito em interpretar o que é visto, ouvido ou relacionar essas informações vindas de diferentes partes do cérebro. Essas limitações podem aparecer de diferentes formas: dificuldades específicas no falar, no escrever, coordenação motora, autocontrole ou atenção. Essas dificuldades abrangem os trabalhos escolares e podem impedir o aprendizado da leitura, da escrita ou da matemática. Essas manifestações podem ocorrer durante toda a vida do sujeito, afetando várias facetas: trabalhos escolares, rotina diária, vida familiar, amizades e diversões. Em algumas pessoas as manifestações dessas desordens são aparentes. Em outras, aparece apenas um aspecto isolado do problema, causando impacto em outras áreas da vida. (POLITY, 1998, P.73).

Dessa maneira, a compreensão das dificuldades no processo de aprendizagem exige a análise conjunta dos fatores internos e externos que influenciam o sujeito. As condições internas dizem respeito aos aspectos anátomo-funcionais, neurológicos e cognitivos, enquanto as condições externas envolvem os estímulos e as experiências oferecidas pelo meio em que o aprendiz está inserido.

Conforme destaca Rogers (1988), elementos como linguagem, inteligência, contexto familiar, afetividade, motivação e escolarização precisam estar articulados e em constante interação para que a aprendizagem ocorra de forma significativa e efetiva. Esses aspectos podem ser compreendidos da seguinte forma:

Aspectos internos

1. Anátomo-funcionais
Relacionam-se às condições físicas e funcionais do organismo que sustentam a aprendizagem, como integridade dos órgãos sensoriais (visão e audição), coordenação motora, lateralidade, esquema corporal e funcionamento global do sistema nervoso.

2. Neurológicos
Referem-se ao funcionamento do sistema nervoso central, incluindo maturação cerebral, atenção, memória, processamento das informações, velocidade de resposta, organização perceptiva e integração entre diferentes áreas do cérebro envolvidas na leitura, escrita e raciocínio.

3. Cognitivos
Envolvem os processos mentais responsáveis pela aprendizagem, como inteligência, linguagem, pensamento, resolução de problemas, funções executivas (planejamento, controle inibitório e flexibilidade cognitiva) e estratégias de aprendizagem utilizadas pelo sujeito.

Aspectos externos

1. Estímulos do meio
Dizem respeito à qualidade e à quantidade de estímulos oferecidos ao aprendiz, como oportunidades de interação, acesso à linguagem oral e escrita, experiências culturais, práticas pedagógicas e recursos didáticos disponíveis.

2. Experiências ambientais
Incluem o contexto familiar, escolar e social, abrangendo relações afetivas, expectativas da família e da escola, métodos de ensino, vínculo com professores, clima emocional, condições socioeconômicas e experiências anteriores de sucesso ou fracasso escolar.

Esses aspectos atuam de forma integrada e dinâmica, sendo fundamentais para a compreensão global do processo de aprendizagem no contexto da avaliação psicopedagógica.

Conclusão

A avaliação psicopedagógica deve ser procurada sempre que surgirem sinais persistentes de dificuldades na aprendizagem, como baixo rendimento escolar, dificuldades em leitura, escrita ou matemática, desmotivação ou mudanças no comportamento diante das tarefas escolares. Trata-se de um processo investigativo que busca compreender as causas dessas dificuldades, considerando o sujeito em sua totalidade e em seu contexto familiar e escolar. Entre seus principais benefícios estão a identificação precoce de obstáculos, a elaboração de intervenções personalizadas, o fortalecimento da autoestima do aprendiz e a promoção de estratégias mais eficazes de ensino e aprendizagem, favorecendo um desenvolvimento acadêmico e emocional mais saudável.

FAQ

O que é uma avaliação psicopedagógica?

A avaliação psicopedagógica é um processo para entender como a criança ou estudante aprende. Ele procura saber o que dificulta esse aprendizado. Isso ajuda a saber se há problemas de aprendizagem, emocionais ou outros. O objetivo é melhorar o desempenho escolar.

Quais os objetivos da avaliação psicopedagógica?

A avaliação quer entender a relação entre o estudante e a escola. Quer também descobrir se há dificuldades de aprendizado. Ela ajuda a criar métodos de ensino que se adequem a cada aluno. Assim, o estudante pode superar os desafios.

Quem são os profissionais envolvidos no processo de avaliação psicopedagógica?

Vários especialistas atuam nesse processo. Isso inclui o psicopedagogo, professores e psicólogos. Todos juntos buscando o melhor para o aluno.

Quando se deve procurar uma avaliação psicopedagógica?

Em casos onde a criança tem problemas para ler ou escrever, é hora de considerar. Se o estudante parece desinteressado ou se comporta de forma agressiva, pode ser um sinal. Outros sinais incluem hiperatividade e dificuldade de seguir regras. Nesses momentos, a avaliação pode ajudar bastante.

Quais são as etapas da avaliação psicopedagógica?

O processo começa com uma coleta de informações sobre o aluno. Depois, são feitas observações e aplicados testes. Os dados coletados ajudam na análise do psicopedagogo. Então, um plano de intervenção é criado.

Quais são as ferramentas e métodos utilizados na avaliação psicopedagógica?

Muitas técnicas são usadas. Entre elas, entrevistas com família e professores. Testes e observações diretas também fazem parte. Tudo é pensado para entender como o estudante aprende e superar os desafios.

Quais são os benefícios da avaliação psicopedagógica?

Os benefícios são vários. Desde melhorar o desempenho escolar a entender melhor as necessidades de cada aluno. Ela ainda ajuda no desenvolvimento de métodos de ensino feitos sob medida. Os pais e educadores também podem ser apoiados nesse processo. Tudo para que o estudante aprenda com mais facilidade.

Como os pais e educadores são envolvidos no processo de avaliação psicopedagógica?

A participação de pais e escola é chave para o sucesso. O psicopedagogo conversa com os envolvidos e observa o aluno na sala de aula. Essa observação é essencial para entender às necessidades do estudante.

Quais são as atividades e estratégias utilizadas no tratamento psicopedagógico?

Após a avaliação, várias atividades são feitas. Estimulam tanto o pensamento quanto o lado emocional do estudante. Brinquedos, jogos e outras atividades lúdicas são usados. O objetivo é tornar o aprendizado mais prazeroso para o aluno. 

Links de Fontes

  1. https://www.posuscs.com.br/desvendando-o-potencial-a-importancia-da-avaliacao-psicopedagogica-na-educacao/noticia/2832
  2. SANCHEZ-CANO, M; BONALS, J. Avaliação psicopedagógica. Porto Alegre: Artmed, 2008.
  3. https://serpsicopedagoga.com.br/avaliacao-psicopedagogica-entenda-seu-valor
  4. https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/psicopedagogia
  5. https://serpsicopedagoga.com.br/avaliacao-psicopedagogica-entenda-seu-valor/
  6. BARBOSA, Laura Monte Serrat. Um diálogo entre a Psicopedagogia e a Educação. Curitiba: Bolsa Nacional do Livro, 2007.
  7. BARBOSA, Laura Monte Serrat. A psicopedagogia no âmbito da instituição escolar. Curitiba: Expoente 2001.
  8. BOSSA, Nadia A. Dificuldades de Aprendizagem: O que são? E como tratá-las?2. Ed. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.
  9. WEISS, M. L. L. Psicopedagogia clínica: uma visão diagnóstica dos problemas de Aprendizagem Escolar. Rio de Janeiro: DP&A, 1997.

Auxiliadora Lemos
Auxiliadora Lemos

Sou Auxiliadora Lemos. Professora e Psicopedagoga Clínica com mais de 18 anos de experiência na área. Esse espaço é dedicado a assuntos da Psicopedagogia, para guiar estudantes, recém-formados e profissionais que estão começando na área. Meu objetivo é oferecer suporte, compartilhar conhecimentos, dar dicas de recursos e facilitar a transição acadêmica à prática psicopedagógica. Vamos explorar juntos o fascinante universo do desenvolvimento humano e da aprendizagem!

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